{"id":4825,"date":"2025-12-09T22:42:23","date_gmt":"2025-12-09T22:42:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/?page_id=4825"},"modified":"2025-12-10T12:40:16","modified_gmt":"2025-12-10T12:40:16","slug":"contos-de-malfadadas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/felizes-viveram-uma-vez\/contos-de-malfadadas\/","title":{"rendered":"Contos de Malfadadas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme fui explicando ao longo dos anos, atrav\u00e9s de <a href=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/category\/felizes-viveram-uma-vez\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">v\u00e1rias entradas<\/a>, n\u00e3o me foi poss\u00edvel concluir o <em>Felizes Viveram Uma Vez <\/em>no formado almejado, nem sequer nos formatos improvisados que me foram ocorrendo. Assim, optei por contar aqui o resto da hist\u00f3ria, de forma abreviada, para ao menos n\u00e3o deixar pendurados os leitores que lhe deram uma oportunidade. O meu muito obrigado pela vossa confian\u00e7a, companhia e paci\u00eancia nesta aventura que me \u00e9 t\u00e3o cara, e que infelizmente n\u00e3o fui capaz de lhe p\u00f4r o termo desejado. Fica ent\u00e3o aqui registado para a posteridade o que j\u00e1 tinha adiantado na escrita, com o resto quase praticamente copiado e colado dos apontamentos do meu mapa narrativo para aquele que teria sido o terceiro e \u00faltimo volume: <em>Contos de Malfadadas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><div class=\"_3d-flip-book  fb3d-fullscreen-mode full-size\" data-id=\"4834\" data-mode=\"fullscreen\" data-title=\"false\" data-template=\"short-white-book-view\" data-lightbox=\"dark-shadow\" data-urlparam=\"fb3d-page\" data-page-n=\"0\" data-pdf=\"\" data-tax=\"null\" data-thumbnail=\"\" data-cols=\"3\" data-book-template=\"default\" data-trigger=\"\"><\/div><script type=\"text\/javascript\">window.FB3D_CLIENT_DATA = window.FB3D_CLIENT_DATA || [];FB3D_CLIENT_DATA.push('eyJwb3N0cyI6eyI0ODM0Ijp7IklEIjo0ODM0LCJ0aXRsZSI6IkNvbnRvcyBkZSBNYWxmYWRhZGFzIiwidHlwZSI6InBkZiIsInJlYWR5X2Z1bmN0aW9uIjoiIiwiYm9va19zdHlsZSI6ImZsYXQiLCJib29rX3RlbXBsYXRlIjoibm9uZSIsIm91dGxpbmUiOltdLCJkYXRhIjp7InBvc3RfSUQiOiIyMzk3IiwiZ3VpZCI6Imh0dHBzOlwvXC93d3cuYWxsYXJ5aWEuY29tXC9wZWFybm9uXC93cC1jb250ZW50XC91cGxvYWRzXC8yMDE5XC8wOFwvQ29udG9zLWRlLU1hbGZhZGFkYXMtRXhjZXJ0by5wZGYiLCJwZGZfcGFnZXMiOiIzMiIsInBhZ2VzX2N1c3RvbWl6YXRpb24iOiJub25lIn0sInRodW1ibmFpbCI6eyJkYXRhIjp7InBvc3RfSUQiOiIwIn0sInR5cGUiOiJhdXRvIn0sInByb3BzIjp7ImJhY2tncm91bmRDb2xvciI6ImF1dG8iLCJiYWNrZ3JvdW5kSW1hZ2UiOiJhdXRvIiwiYmFja2dyb3VuZFN0eWxlIjoiYXV0byIsImhpZ2hsaWdodExpbmtzIjoiYXV0byIsImxpZ2h0aW5nIjoiYXV0byIsInNpbmdsZVBhZ2VNb2RlIjoiYXV0byIsImNhY2hlZFBhZ2VzIjoiYXV0byIsInJlbmRlckluYWN0aXZlUGFnZXMiOiJhdXRvIiwicmVuZGVySW5hY3RpdmVQYWdlc09uTW9iaWxlIjoiYXV0byIsInJlbmRlcldoaWxlRmxpcHBpbmciOiJhdXRvIiwicHJlbG9hZFBhZ2VzIjoiYXV0byIsImF1dG9QbGF5RHVyYXRpb24iOiJhdXRvIiwicnRsIjoiYXV0byIsImludGVyYWN0aXZlQ29ybmVycyI6ImF1dG8iLCJtYXhEZXB0aCI6ImF1dG8iLCJzaGVldCI6eyJzdGFydFZlbG9jaXR5IjoiYXV0byIsIndhdmUiOiJhdXRvIiwic2hhcGUiOiJhdXRvIiwid2lkdGhUZXhlbHMiOiJhdXRvIiwiY29sb3IiOiJhdXRvIiwic2lkZSI6ImF1dG8iLCJzdHJldGNoSW1hZ2VzIjoiYXV0byIsImNvcm5lckRldmlhdGlvbiI6ImF1dG8iLCJmbGV4aWJpbGl0eSI6ImF1dG8iLCJmbGV4aWJsZUNvcm5lciI6ImF1dG8iLCJiZW5kaW5nIjoiYXV0byIsImhlaWdodFRleGVscyI6ImF1dG8ifSwiY292ZXIiOnsid2F2ZSI6ImF1dG8iLCJjb2xvciI6ImF1dG8iLCJzaWRlIjoiYXV0byIsInN0cmV0Y2hJbWFnZXMiOiJhdXRvIiwiYmluZGVyVGV4dHVyZSI6ImF1dG8iLCJkZXB0aCI6ImF1dG8iLCJwYWRkaW5nIjoiYXV0byIsInN0YXJ0VmVsb2NpdHkiOiJhdXRvIiwiZmxleGliaWxpdHkiOiJhdXRvIiwiZmxleGlibGVDb3JuZXIiOiJhdXRvIiwiYmVuZGluZyI6ImF1dG8iLCJ3aWR0aFRleGVscyI6ImF1dG8iLCJoZWlnaHRUZXhlbHMiOiJhdXRvIiwibWFzcyI6ImF1dG8iLCJzaGFwZSI6ImF1dG8ifSwicGFnZSI6eyJ3YXZlIjoiYXV0byIsImNvbG9yIjoiYXV0byIsInNpZGUiOiJhdXRvIiwic3RyZXRjaEltYWdlcyI6ImF1dG8iLCJkZXB0aCI6ImF1dG8iLCJzdGFydFZlbG9jaXR5IjoiYXV0byIsImZsZXhpYmlsaXR5IjoiYXV0byIsImZsZXhpYmxlQ29ybmVyIjoiYXV0byIsImJlbmRpbmciOiJhdXRvIiwid2lkdGhUZXhlbHMiOiJhdXRvIiwiaGVpZ2h0VGV4ZWxzIjoiYXV0byIsIm1hc3MiOiJhdXRvIiwic2hhcGUiOiJhdXRvIn0sImhlaWdodCI6ImF1dG8iLCJ3aWR0aCI6ImF1dG8iLCJncmF2aXR5IjoiYXV0byIsInBhZ2VzRm9yUHJlZGljdGluZyI6ImF1dG8ifSwiY29udHJvbFByb3BzIjp7ImFjdGlvbnMiOnsiY21kVG9jIjp7ImVuYWJsZWQiOiJhdXRvIiwiZW5hYmxlZEluTmFycm93IjoiYXV0byIsImFjdGl2ZSI6ImF1dG8iLCJkZWZhdWx0VGFiIjoiYXV0byJ9LCJjbWRBdXRvUGxheSI6eyJlbmFibGVkIjoiYXV0byIsImVuYWJsZWRJbk5hcnJvdyI6ImF1dG8iLCJhY3RpdmUiOiJhdXRvIn0sImNtZFNhdmUiOnsiZW5hYmxlZCI6ImF1dG8iLCJlbmFibGVkSW5OYXJyb3ciOiJhdXRvIn0sImNtZFByaW50Ijp7ImVuYWJsZWQiOiJhdXRvIiwiZW5hYmxlZEluTmFycm93IjoiYXV0byJ9LCJjbWRTaW5nbGVQYWdlIjp7ImVuYWJsZWQiOiJhdXRvIiwiZW5hYmxlZEluTmFycm93IjoiYXV0byIsImFjdGl2ZSI6ImF1dG8iLCJhY3RpdmVGb3JNb2JpbGUiOiJhdXRvIn0sIndpZFRvb2xiYXIiOnsiZW5hYmxlZCI6ImF1dG8iLCJlbmFibGVkSW5OYXJyb3ciOiJhdXRvIn19fSwiYXV0b1RodW1ibmFpbCI6Imh0dHBzOlwvXC93d3cuYWxsYXJ5aWEuY29tXC9wZWFybm9uXC93cC1jb250ZW50XC91cGxvYWRzXC8zZC1mbGlwLWJvb2tcL2F1dG8tdGh1bWJuYWlsc1wvNDgzNC5wbmciLCJwb3N0X25hbWUiOiJjb250b3MtZGUtbWFsZmFkYWRhcyIsInBvc3RfdHlwZSI6IjNkLWZsaXAtYm9vayJ9fSwicGFnZXMiOltdLCJmaXJzdFBhZ2VzIjpbXX0=');window.FB3D_CLIENT_LOCALE && FB3D_CLIENT_LOCALE.render && FB3D_CLIENT_LOCALE.render();<\/script><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No rescaldo do encontro com o Matador, o grupo acampa, e Aprendiz forma um per\u00edmetro de esp\u00edritos para ficarem de guarda. Capuchinho comenta que ainda bem que o Burra n\u00e3o ouviu que a \u00abrespons\u00e1vel\u00bb \u00e9 uma mulher. Borralheiro pondera a liga\u00e7\u00e3o entre Tiago e os \u00aboutros\u00bb de que a M\u00e3e Gansa lhe falou e decide ficar ele com a orelha do Diabo enquanto Burra n\u00e3o recupera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia seguinte, o grupo parte, seguindo a direc\u00e7\u00e3o indicada pela chave de Borralheiro para uma forma de chegarem \u00e0 lua. Burra est\u00e1 est\u00e1vel, mas continua muito debilitado e tem de ser carregado pelos esp\u00edritos de Aprendiz. Borralheiro sente-se tentado a usar a orelha do Diabo para tentar saber quem \u00e9 a \u00abela\u00bb referida pelo Matador, e debate com a sua sombra. Depois, tamb\u00e9m devido \u00e0s palavras do Matador, questiona Vasilisa quanto \u00e0 natureza da sua caveira e ao facto de esta se alimentar de maldade. Vasilisa pede desculpa a Aprendiz pela queimadura e pergunta se pode dormir com ele, que n\u00e3o sente calor humano h\u00e1 tanto tempo<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seguindo a direc\u00e7\u00e3o indicada pela chave de Borralheiro, chegam a uma cidade fronteiri\u00e7a que se encontra ocupada sob lei marcial por um grupo conhecido como o Bando do Tolo (baseado no conto de fadas <a href=\"http:\/\/www.mythfolklore.net\/andrewlang\/019.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O Navio Voador<\/a>). Nesta vers\u00e3o da hist\u00f3ria, o Tolo n\u00e3o tem m\u00e3o nos seus companheiros, que causam a ru\u00edna para onde quer que os leve no seu navio voador. O Comil\u00e3o devora tudo, trazendo a fome; Beberr\u00e3o bebe tudo, tornando locais \u00e1ridos; o Neveiro espalha a sua palha m\u00e1gica, trazendo consigo o frio e o gelo; o Orelhudo ouve tudo o que a popula\u00e7\u00e3o diz e \u00e9 uma vigil\u00e2ncia em massa de um homem s\u00f3; o Corredor \u00e9 incrivelmente r\u00e1pido e espalha o terror; o Arqueiro \u00e9 capaz de acertar em qualquer alvo com o seu arco; e o Madeireiro cria ex\u00e9rcitos de soldados de madeira.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/naviovoador.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"747\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/naviovoador-747x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4837\" srcset=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/naviovoador-747x1024.png 747w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/naviovoador-219x300.png 219w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/naviovoador-768x1053.png 768w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/naviovoador-1120x1536.png 1120w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/naviovoador-200x274.png 200w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/naviovoador.png 1166w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O navio voador \u00e9 claramente o que a chave de Borralheiro estava a indicar, mas este quer ser mais cauteloso e decide investigar para saber umas coisas sobre <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pan_Twardowski\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dom Twardowski<\/a> antes de irem \u00e0 lua. As gentes locais mostram-se pouco faladoras, pois Tolo &amp; cia. t\u00eam a cidade sob lei marcial, mas l\u00e1 conseguem saber fez um pacto com o Diabo, e que que o Grimm\u00f3rio foi o livro arcano que com a ajuda deste escreveu. O assunto do Diabo levanta quest\u00f5es interessantes com a orelha de Burra, que j\u00e1 recuperou, mas ainda est\u00e1 algo combalido. Antes que possam decidir o que fazer, o Orelhudo escuta a conversa deles, e o grupo de Simpl\u00f3rio monta-lhes uma emboscada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com Burra ainda uns furos abaixo da sua condi\u00e7\u00e3o, o combate n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. O Tolo, coitado, s\u00f3 quer que os seus companheiros n\u00e3o magoem ningu\u00e9m, mas o poder subiu-lhes claramente \u00e0 cabe\u00e7a, e n\u00e3o toleram a presen\u00e7a de ningu\u00e9m que os possa tirar do poleiro. Comil\u00e3o, Beberr\u00e3o e Orelhudo n\u00e3o s\u00e3o particularmente \u00fateis num combate, mas o Corredor, o Neveiro, o Arqueiro e o Madeireiro fazem trinta por uma linha com o grupo. No final, Burra desfere um golpe com o seu espad\u00e3o no ch\u00e3o para desequilibrar o Corredor com o abalo, esmagando-lhe a cabe\u00e7a com um pis\u00e3o a seguir; Borralheiro (imune ao frio desde o beijo da Rainha do Gelo) salva Capuchinho de morrer congelada pela palha do Neveiro e esta arranca-lhe a garganta \u00e0 dentada; a caveira de Vasilisa incinera o Arqueiro; e Aprendiz invoca esp\u00edritos que possuem a hoste de madeira do Madeireiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No rescaldo, Borralheiro lembra-se de pedir a Orelhudo, que foi poupado ap\u00f3s o combate, que use o seu poder em busca da respons\u00e1vel pelo que aconteceu ao mundo. Tal como aconteceu quando Borralheiro fez um pedido semelhante ao espelho da Rainha M\u00e1, tamb\u00e9m Orelhudo acaba vitimado pela pura ins\u00e2nia e maldade que ouve, enlouquecendo \u00e0 frente do grupo e ficando reduzido a uma carca\u00e7a balbuciante. Agora que t\u00eam o navio voador do Tolo, decidem descansar e come\u00e7ar os preparativos para a viagem \u00e0 lua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Devidamente recuperado, o grupo prepara-se para partir a bordo do navio voador do Tolo, quando ouvem a j\u00e1 familiar trompa do Matador. Sem mais delongas, zarpam rumo \u00e0 lua, e Orelhudo, que ficou para tr\u00e1s, acaba executado pelo Matador. Durante o voo, \u00e0 medida que se aproximam da lua, Capuchinho come\u00e7a a ficar descontrolada, e os outros t\u00eam de a agrilhoar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/pan-twardowski-koniec.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"655\" height=\"933\" src=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/pan-twardowski-koniec.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4845\" srcset=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/pan-twardowski-koniec.jpg 655w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/pan-twardowski-koniec-211x300.jpg 211w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/pan-twardowski-koniec-200x285.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 655px) 100vw, 655px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez chegados \u00e0 lua, s\u00e3o logo recebidos por Dom Twardowski e o seu servo, um misto grotesco de homem e aranha. Este sabe ao que v\u00eam e abre logo as hostilidades. Com Capuchinho indispon\u00edvel e o ainda convalescente Burra ocupado com o servo aracn\u00f3ide, cabe a Borralheiro, Aprendiz e Vasilisa haverem-se com o feiticeiro, que \u00abapaga\u00bb a caveira desta \u00faltima e \u00e9 claramente um mestre em compara\u00e7\u00e3o com o literal e figurativo Aprendiz. No fim, Borralheiro morde a orelha do Diabo para o soltar, fiando-se na \u00e2nsia deste de se vingar de Twardowski, e o grupo foge ent\u00e3o com o Grimm\u00f3rio, deixando o feiticeiro \u00e0 sua infeliz sorte com o Diabo, que fica aprisionado na lua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na viagem de volta da lua, Vaslisa torna a acender a sua caveira, que desperta com o \u00f3dio reprimido que ela dentro de si guarda. Enquanto isso, agora com o Grimm\u00f3rio em sua posse, Borralheiro tem o conhecimento nas pontas dos dedos e orienta-se atrav\u00e9s dos versos que leu na cabana da M\u00e3e Gansa:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Ter\u00e1s de consultar o espelho<br>Para saber onde encontrar o cristal<br>Com o qual dever\u00e1s ler o livro<br>Que te permitir\u00e1 encontrar os ingredientes<br>Para o unguento capaz de trazer de volta<br>As mem\u00f3rias daquela que se lembra\u2026<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gra\u00e7as a eles, consegue finalmente apurar o que \u00e9 o tal \u00abunguento capaz de trazer de volta as mem\u00f3rias daquela que se lembra\u00bb: o <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Giambattista_Basile\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Basilec\u00e3o<\/a>. Para o criar, precisar\u00e1 dos seguintes ingredientes: uma flor que promete o melhor, l\u00e1grimas de um inocente arrependido e uma ma\u00e7\u00e3 que cura maleitas. Sem qualquer outra orienta\u00e7\u00e3o, opta por fazer a coisa pela devida ordem e decide que v\u00e3o primeiro em busca da flor, o caminho para a qual \u00e9 indicado pela chave de Borralheiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a viagem para o seu novo destino, Vasilisa pergunta a uma ainda agitada Capuchinho se lhe pode entran\u00e7ar o cabelo, coisa que costumava fazer \u00e0s suas meias-irm\u00e3s, os \u00fanicos momentos em que elas n\u00e3o a tratavam mal. Capuchinho fica meio sem jeito e acede, aproveitando para mandar umas bocas a Aprendiz por este n\u00e3o atar nem desatar quando Vasilisa claramente tem um fraquinho por ele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando chegam a uma misteriosa <a href=\"http:\/\/www.mythfolklore.net\/andrewlang\/067.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">floresta de cobre<\/a>, Capuchinho d\u00e1 gra\u00e7as por estar novamente em terra firme e faz de conta que nada se passou, embora Borralheiro tente abordar o assunto. O grupo parte em busca da tal flor que promete o melhor e encontra renques de flores que come\u00e7am a falar com eles com vozes suaves, cada uma prometendo algo mais maravilhoso a quem a colher. Borralheiro faz batota e usa a chave, que lhe indica qual a flor a colher, mas nem mesmo assim se safa das consequ\u00eancias, pois o guardi\u00e3o do bosque, a quim\u00e9rica welwa, surge ent\u00e3o para punir quem teve o desplante de mexer nas suas flores.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/welwa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"430\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/welwa.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4862\" srcset=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/welwa.jpg 430w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/welwa-189x300.jpg 189w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/welwa-200x318.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 430px) 100vw, 430px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A welwa \u00e9 um osso duro de roer, imune ao fogo da caveira de Vasilisa em virtude de ser uma simples fera desprovida de qualquer mal. Ainda assim, com algum trabalho em equipa, o grupo acaba por venc\u00ea-la e pira-se dos bosques sem mais delongas, munido com a tal flor que \u00abpromete o melhor\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a viagem, enquanto ele e os outros lambem as feridas, Borralheiro tenta perceber onde pode arranjar as \u00abl\u00e1grimas de um inocente arrependido\u00bb, e a sua fiel chave indica-lhe ningu\u00e9m menos do que Vasilisa. O que faz sentido, tendo em conta que ela \u00e9 inocente e se arrepende amargamente do que a sua caveira fez. Lembra-se ent\u00e3o de lhe perguntar por que motivo a caveira dela n\u00e3o consegue pegar fogo a objectos (tendo em conta que pegou fogo a uma cidade inteira). Vasilisa explica-lhe que a sua m\u00e3e odiava a sua casa e a cidade onde o marido conhecera a madrasta, raz\u00e3o pela qual a caveira as p\u00f4de queimar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Borralheiro tem ent\u00e3o uma ideia e, antes que a rapariga possa reagir, ele cobre a caveira com um saco, impedindo-a de fitar quem quer que seja, e tenta a custo ser mau com ela, atirando-lhe algumas verdades \u00e0 cara para a fazer chorar. Aprendiz n\u00e3o acha grande piada \u00e0 coisa e interv\u00e9m, invulgarmente assertivo, mas n\u00e3o antes de Borralheiro colher l\u00e1grimas de Vasilisa e tentar em v\u00e3o explicar o porqu\u00ea de ter feito o que fez. Antes que a situa\u00e7\u00e3o se possa empolar demasiado, por\u00e9m, surge do nada um ifrite que, sem sequer se apresentar, teletransporta-os e ao navio dali para fora.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/jinn.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"450\" height=\"747\" src=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/jinn.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4872\" srcset=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/jinn.jpg 450w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/jinn-181x300.jpg 181w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/jinn-200x332.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De repente, o grupo v\u00ea-se num lugar completamente diferente, dentro de uma ampla e luxuosa sala ricamente decorada. A arquitectura \u00e9 oriental, e os cheiros s\u00e3o ex\u00f3ticos, mas al\u00e9m deles e da estranha criatura que ali os trouxe, encontra-se apenas uma jovem mulher de pele morena e cabelos negros cor de azeviche. A mulher n\u00e3o \u00e9 outra sen\u00e3o Morgiana, a serva de Ali Bab\u00e1, que rapidamente explica que cometeu o erro de abrir a garrafa onde o ifrite estava aprisionado, convencido de que ele lhe daria tr\u00eas desejos. Infelizmente, o \u00fanico desejo que este ifrite <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/The_Fisherman_and_the_Jinni#\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">em particular<\/a> concede \u00e9 a forma como se morre. Morgiana explica ent\u00e3o que, munida de um <a href=\"https:\/\/en.wikisource.org\/wiki\/Fairy_tales_from_the_Arabian_nights\/The_Three_Princes_and_Princess_Nouronnihar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">tubo de marfim<\/a> m\u00e1gico, procurou o \u00fanico homem que n\u00e3o a mataria (uma impossibilidade no mundo em que vivem, achou) e, ao avistar Borralheiro, mandou o ifrite ir busc\u00e1-lo, exigindo ser morta por ele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Intrigado pela forma como o tubo de marfim funciona e vendo as parecen\u00e7as com a sua pr\u00f3pria chave, Borralheiro fica meio sem jeito a olhar para Morgiana, partilhando com esta um r\u00e1pido momento silencioso em que v\u00ea nos olhos dela um lampejo da arg\u00facia e intelig\u00eancia que sempre o atormentaram por lhe terem permitido perceber o que se passava com o mundo. Por\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 tempo para falar, e o ifrite ordena a Borralheiro que mate a jovem. Este recusa, tal como esperado, e o grupo ataca o ifrite, mas a coisa corre mal. Capuchinho queima as m\u00e3os e o p\u00ealo ao tentar atac\u00e1-lo, Burra v\u00ea-se incapaz de o ferir mesmo com o seu espadag\u00e3o e acaba projectado para longe, Vasilisa consegue apenas mago\u00e1-lo um pouco com o fogo da sua caveira, Aprendiz \u00e9 incapaz de o vergar \u00e0 sua vontade, e os disparos de Borralheiro surtem pouco efeito. A criatura fica com as vidas dos companheiros de Borralheiro nas suas m\u00e3os, tendo claramente demonstrado que os pode eliminar facilmente, e d\u00e1-lhe uma escolha: ou mata Morgiana, ou morrem todos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem tempo para mais, Borralheiro reflecte brevemente acerca do que Morgiana lhe contou acerca do ifrite e dos desejos que este concede e pede-lhe uns momentos para rezar e fazer as suas pazes com o Senhor por aquilo que est\u00e1 prestes a fazer. O ifrite concede-lhe esses momentos, e Borralheiro aproveita para conferenciar com Borralho, a sua sombra, congeminando ent\u00e3o um plano com ele.  Ao levantar-se, faz com que Borralho se separe dele e explica que \u00e9 a sua sombra e que, como tal, faz parte dele. Diz ao ifrite que quer pedir um desejo para matar Morgiana. Este concede-lho, e o desejo \u00e9 o seguinte: quer que Morgiana morra pela ac\u00e7\u00e3o que a sua sombra desejar efectuar. Por sua vez, Borralho diz que deseja matar Morgiana somente atrav\u00e9s de uma ac\u00e7\u00e3o que <em>n\u00e3o <\/em>deseja efectuar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Preso em tal armadilha l\u00f3gica, o ifrite fica confuso e sem saber o que fazer. Borralheiro aproveita a distrac\u00e7\u00e3o dele para lhe atirar a palha gelada do Neveiro, que faz a criatura come\u00e7ar a exalar vapor por todos os orif\u00edcios. Os outros acabam assim libertos e atacam a criatura em conjunto, acabando por destru\u00ed-la com os seus ataques combinados e salvando Morgiana do seu destino. Esta fica extremamente grata a Borralheiro, no qual parece ver uma alma g\u00e9mea, mas o grupo rapidamente percebe que a jovem \u00e9 bem mais do que uma donzela em apuros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/morgianaf.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"816\" height=\"797\" src=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/morgianaf.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4876\" srcset=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/morgianaf.jpg 816w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/morgianaf-300x293.jpg 300w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/morgianaf-768x750.jpg 768w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/morgianaf-200x195.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 816px) 100vw, 816px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muito pelo contr\u00e1rio. Neste mundo, a antiga escrava do falecido irm\u00e3o de Ali Bab\u00e1 subiu na vida, e de que maneira. Na hist\u00f3ria original, \u00e9 praticamente ela a hero\u00edna, e Ali Bab\u00e1 fica com todos os louros. Desta feita, por\u00e9m, foi ela quem assumiu as r\u00e9deas da situa\u00e7\u00e3o, matando Ali Bab\u00e1, apoderando-se do tesouro e ressuscitando os 38 ladr\u00f5es por ela mortos como <em><a href=\"https:\/\/www.sacred-texts.com\/neu\/lang1k1\/tale31.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ghouls<\/a> <\/em>que agora a servem como uma guarda pretoriana morta-viva. Possui tamb\u00e9m o tal tubo de marfim, uma carpete voadora e uma ma\u00e7\u00e3 capaz de curar maleitas, e gra\u00e7as a tais recursos e \u00e0 sua intelig\u00eancia, conseguiu algo de in\u00e9dito naquele mundo em que todas as hist\u00f3rias parecem ter acabado mal: garantiu um final feliz para si mesma. \u00c0 custa de alguns, \u00e9 certo, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma tirana e parece realmente ter conseguido criar um cantinho de paz e estabilidade em que as coisas nem parecem t\u00e3o mal assim. A coisa s\u00f3 ia dando para o torto quando foi demasiado gananciosa e tentou a sua sorte com o ifrite, mas agora que est\u00e1 tudo bem, o grupo \u00e9 mais que bem-vindo a permanecer ali.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos ficam admirados com o que v\u00eaem, encontrando-se pela primeira vez em aparente paz e seguran\u00e7a. O reino de que Morgiana se apoderou atrav\u00e9s da ast\u00facia \u00e9 regrado, limpo e aparentemente seguro &#8211; um verdadeiro o\u00e1sis de serenidade no mundo conturbado que o grupo desde sempre conheceu. Burra est\u00e1 desconfiado, como \u00e9 seu apan\u00e1gio, mas Aprendiz parece convencido, e Vasilisa e Capuchinho deixam-se apaparicar pelos eunucos de Morgiana, que lhes d\u00e3o banho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto isso, Borralheiro e Morgiana falam, profundamente intrigados um pelo outro, cada um sentindo que encontrou a sua alma g\u00e9mea. Ele explica a Morgiana a miss\u00e3o da qual foi incumbido, e esta mostra-se curiosa quanto \u00e0s aventuras pelas quais o grupo passou e aquilo que apuraram acerca do mundo. A conversa puxa para a chave de Borralheiro, que revela que a tal \u00abma\u00e7\u00e3 que cura maleitas\u00bb para o Basilec\u00e3o \u00e9 a ma\u00e7\u00e3 usada por Morgiana, e \u00abaquela que se lembra\u00bb parece tamb\u00e9m estar em posse dela. A jovem come\u00e7a ent\u00e3o a fechar um pouco o jogo e contrap\u00f5e que um mundo no qual uma escrava consegue dar a volta por cima e tornar-se rainha n\u00e3o pode ser t\u00e3o mau assim. Borralheiro nota o tra\u00e7o de ambi\u00e7\u00e3o que nela se revela, mas tamb\u00e9m n\u00e3o consegue contrapor o argumento, e a conversa morre um pouco por a\u00ed enquanto o grupo desfruta da aparente paz e harmonia do reino de Morgiana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Borralheiro e os outros desfrutam de sossego e da boa vida de que j\u00e1 n\u00e3o tinham mem\u00f3ria, cada vez mais convencidos dos m\u00e9ritos de tirarem o melhor partido poss\u00edvel de um mundo que se virou contra eles. S\u00f3 Borralheiro se mostra algo insistente, e Morgiana acaba por lhe fazer a vontade, mostrando-lhe \u00abaquela que se lembra\u00bb, que \u00e9 nada mais e nada menos do que Xerazade, das Mil e Uma Noites, que neste mundo n\u00e3o conseguiu persuadir o rei Xariar a n\u00e3o a matar e decapitar. Por\u00e9m, o conhecimento dela \u00e9 bem real, e Morgiana conservou a cabe\u00e7a decapitada dela para tirar proveito do que ela sabe acerca das hist\u00f3rias, porque se <em>lembra <\/em>de muitas delas, embora as suas mem\u00f3rias pare\u00e7am estar fracturadas e corrompidas. Portanto, o Basilec\u00e3o ser\u00e1 o \u00abunguento\u00bb capaz de trazer de volta as mem\u00f3rias dela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Borralheiro garante a Morgiana que n\u00e3o far\u00e1 nada, sobretudo quando esta mostra activamente o seu interesse por ele e os dois passam a noite juntos, certa de que o convenceu a n\u00e3o comprometer o fr\u00e1gil equil\u00edbrio que ela conseguiu no seu reino. O mundo pode ser cruel e imperfeito, mas ela conseguiu criar nele um o\u00e1sis \u00e0 custa de muito esfor\u00e7o e sacrif\u00edcio, e pede-lhe que ele n\u00e3o deite tudo a perder. Por\u00e9m, Borralheiro fica com a pulga atr\u00e1s da orelha e sente-se atormentado, porque sabe que, fora das muralhas do reino de Morgiana, h\u00e1 incont\u00e1veis pessoas a sofrer porque tiveram os seus destinos roubados por um qualquer incidente, e agora tem por fim a possibilidade de perceber o que aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por mais que lute contra isso, e por mais intrigado e atra\u00eddo que se possa sentir por Morgiana e pela proposta dela de tirarem o melhor partido poss\u00edvel do mundo tal como ele ficou, Borralheiro acaba por n\u00e3o resistir. Certa noite, com a ajuda de Aprendiz, vai sorrateiramente buscar a ma\u00e7\u00e3 que cura maleitas, o \u00faltimo ingrediente para o Basilec\u00e3o, que prepara \u00e0s tr\u00eas pancadas, e ent\u00e3o dirige-se \u00e0 c\u00e2mara onde est\u00e1 guardada a cabe\u00e7a de Xerazade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m, quando l\u00e1 chega com Aprendiz e tira a cabe\u00e7a do recipiente onde esta est\u00e1 guardada, depara com uma cilada montada por Morgiana, que ali trouxe os seus 38 <em>ghouls<\/em>. Mostra-se desiludida, embora n\u00e3o surpreendida, e revela que foi Borralho quem o traiu, seduzido por ela quando se deu conta de que Borralheiro n\u00e3o iria mudar de ideias e n\u00e3o seria capaz de resistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de resolver os problemas de todos, mesmo que para isso destru\u00edsse tudo o que ela ali criou. Borralheiro saca do seu rev\u00f3lver, mas percebe que este est\u00e1 sem muni\u00e7\u00f5es e que estas foram sorrateiramente retiradas por Borralho. \u00c9 ent\u00e3o que revela que j\u00e1 se tinha dado conta do desaparecimento da sua sombra, e Burra, Capuchinho e Vasilisa entram ent\u00e3o em cena. Fica assim montado o palco para o confronto final, uma luta que ningu\u00e9m desejava, mas que todos percebem ter sido inevit\u00e1vel&#8230; quando s\u00e3o interrompidos pelo toque de uma trompa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/6243429_orig.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"610\" height=\"800\" src=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/6243429_orig.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4882\" srcset=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/6243429_orig.jpg 610w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/6243429_orig-229x300.jpg 229w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/6243429_orig-200x262.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 610px) 100vw, 610px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Matador surge, ent\u00e3o, e come\u00e7a a chacinar os ghouls, cortando-os \u00e0s postas com ataques fulminantes enquanto anuncia que deu a Borralheiro tempo o suficiente, mas que est\u00e1 na hora de acabarem com aquilo. Antes que qualquer um do grupo possa agir, o Matador foca-se naquela que julga ser a maior amea\u00e7a e ataca a caveira de Vasilisa, que corta ao meio com um s\u00f3 golpe, destruindo-a. A rapariga grita e parece ficar em choque, e Matador s\u00f3 n\u00e3o chacina os restantes presentes porque a cabe\u00e7a de Xerazade se pronuncia e o identifica como o <a href=\"https:\/\/www.authorama.com\/english-fairy-tales-21.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mata-Gigantes<\/a>, levando-o a parar por momentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao retirar o seu manto de escurid\u00e3o, revela-se e permite-se um mon\u00f3logo, no qual reflecte acerca da pessoa que foi, tal como identificado por Xerazade, repete o que j\u00e1 dissera a Borralheiro no seu primeiro encontro, para explicar o porqu\u00ea de ter feito o que fez. Gra\u00e7as ao seu chap\u00e9u do conhecimento, deduziu que algo se passara com o mundo, que ent\u00e3o palmilhou com as suas botas devoradoras de l\u00e9guas at\u00e9 encontrar a respons\u00e1vel, que tencionava vencer com a sua espada que tudo corta. Reconsiderou, por\u00e9m, ao perceber o efeito corruptor que esta tinha, e optou ent\u00e3o por matar todas as \u00abhist\u00f3rias\u00bb para que estas pudessem ser reiniciadas, tal como no passado matara todos os gigantes para tornar as suas terras mais seguras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mon\u00f3logo de Matador acaba por ser interrompido por Vasilisa, que assusta Aprendiz ao despertar do seu choque. Os olhos dela luzem com um verde virulento, e Borralheiro percebe ent\u00e3o que ela estivera at\u00e9 ent\u00e3o a usar a caveira como mera <em>conduta<\/em> para o seu \u00f3dio. Sem esta, a intensa animosidade e o ressentimento da rapariga manifestam-se em todo o seu esplendor, e cintilantes chamas verdes de pura grima come\u00e7am a manar dela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes que Matador possa fazer o que quer que seja, Vasilisa incinera-o com o seu olhar, carbonizando-o e \u00e0s suas roupas, e apenas a espada dele \u00e9 poupada. D\u00e1-se ent\u00e3o in\u00edcio a um verdadeiro holocausto, no qual a rapariga come\u00e7a a consumir a cidade de Morgiana com chamas, tal como a caveira o fizera com a sua pr\u00f3pria cidade, e Borralheiro \u00e9 for\u00e7ado a agir antes que ela destrua tudo, tentando usar o Basilec\u00e3o na cabe\u00e7a de Xerazade. Morgiana n\u00e3o lhe permite, contudo, convencida de que, juntos, ainda poder\u00e3o arranjar forma de salvar a sua cidade sem deitar tudo a perder, e coloca-se ao lado de Borralho entre ele e a cabe\u00e7a, desembainhando a faca com que matou o l\u00edder dos 40 ladr\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Borralheiro sente o cora\u00e7\u00e3o partir-se nesse momento, mas percebe que n\u00e3o tem escolha. Com um \u00faltimo olhar para Morgiana, fita ent\u00e3o Borralho e revela-lhe o seguinte: ao ter feito o desejo, a sua sombra criou um paradoxo auto-realiz\u00e1vel. O desejo de matar Morgiana atrav\u00e9s de uma a\u00e7\u00e3o indesejada \u00e9, em si mesmo, uma a\u00e7\u00e3o indesejada, porque a condi\u00e7\u00e3o torna imposs\u00edvel desej\u00e1-la genuinamente. Portanto, a condi\u00e7\u00e3o foi cumprida no momento em que as palavras foram proferidas. Morgiana j\u00e1 est\u00e1 morta, s\u00f3 que ainda n\u00e3o se tinha dado conta disso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Borralho queda-se silencioso, e Morgiana fica a olhar para Borralheiro com ar chocado, sentindo-se desfalecer. Sorri-lhe uma \u00faltima vez e elogia novamente a intelig\u00eancia dele, que tanto a fascinou desde o in\u00edcio, e ent\u00e3o cai morta. Borralho est\u00e1 aturdido, e deixa-se intimidar quando Borralheiro, com l\u00e1grimas a correrem-lhe livremente pelo rosto, lhe diz que lhe saia da vista. A sombra assim faz, e Borralheiro unge ent\u00e3o a cabe\u00e7a de Xerazade com o Basilec\u00e3o, trazendo assim de volta as mem\u00f3rias daquela que se lembrava das hist\u00f3rias. Enquanto o pal\u00e1cio de Morgiana arde com fogo verde e o resto do grupo tenta haver-se com Vasilisa, um clar\u00e3o branco encandeia-os a todos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando tornam a conseguir ver, o pal\u00e1cio continua escavacado e queimado, mas parou de arder, e tudo parece ter voltado ao normal. Mais &#8211; tudo parece ter voltado ao que era&#8230; ou quase. Burra sente-se atormentado por tudo o que fez, Capuchinho n\u00e3o acredita naquilo em que se tornou, Aprendiz arrepende-se da forma como logrou os seus conhecimentos m\u00e1gicos, e Vasilisa parece em choque. Por sua vez, Borralheiro pranteia em sil\u00eancio, destro\u00e7ado por dentro. N\u00e3o solu\u00e7a e fala normalmente, agindo com toda a compostura, mas as l\u00e1grimas escorrem-lhe de forma aflitiva e incessante. Todos sabem agora quem verdadeiramente eram, mas as hist\u00f3rias continuam enrodilhadas, e nem tudo est\u00e1 como devia estar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cabe\u00e7a de Xerazade revela-lhes ent\u00e3o quem corrompeu as hist\u00f3rias: a Carochinha. A literal hist\u00f3ria da Carochinha. N\u00e3o a vers\u00e3o incompleta que muitos conhecem, mas a <a href=\"https:\/\/pt.wikisource.org\/wiki\/Contos_Populares_Portuguezes\/Historia_da_carochinha\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aut\u00eantica<\/a>. Uma hist\u00f3ria que se espalhou para al\u00e9m do reino onde inicialmente ocorreu e foi gradualmente corrompendo as demais, num efeito domin\u00f3 que acabou por virar do avesso a natureza c\u00edclica das narrativas. Xerazade explica que o efeito da Carochinha ainda se faz sentir e n\u00e3o foi afectado pelo facto de ela se ter lembrado das demais hist\u00f3rias, que provavelmente acabar\u00e3o novamente corrompidas por ela. Enquanto a Carochinha n\u00e3o for purgada, nada poder\u00e1 ser verdadeiramente reiniciado. Borralheiro recorda-se do que o Matador lhe tinha dito, que julgava ser capaz de vencer quem corrompera as hist\u00f3rias com a sua espada que tudo corta, e vai buscar a arma para a levar consigo antes de partir com os outros a bordo do navio voador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O paradigma est\u00e1 agora invertido, pois \u00e9 Borralheiro quem se tornou frio e empedernido, escorrendo l\u00e1grimas copiosamente sem verdadeiramente chorar, e os outros est\u00e3o desolados e arrependidos de tudo o que fizeram e disseram. O mundo est\u00e1 um aut\u00eantico pandem\u00f3nio, agora, pois a ordem periclitante que se formara a meio do caos das hist\u00f3rias corrompidas foi desfeita, e o grupo sobrevoa tudo sem intervir at\u00e9 acabar por encontrar o \u00fanico foco de corrup\u00e7\u00e3o que resta e que j\u00e1 se come\u00e7a a alastrar, tendo como seu epicentro uma singela casinha, em redor da qual h\u00e1 c\u00e2ntaros quebrados, p\u00e1ssaros que arrancaram os olhos, uma fonte seca, um pinheiro desenraizado, uma trave quebrada e uma porta a abrir e a fechar. Ao ver os cacos emocionais a que os seus companheiros foram reduzidos, Borralheiro prop\u00f5e-se ele a tratar de tudo e, munido com o cordel da M\u00e3e Gansa numa m\u00e3o e a espada do Matador na outra, entra na casinha da Carochinha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sentindo-se corromper aos poucos, Borralheiro enrola o cordel da M\u00e3e Gansa na m\u00e3o e agarra-o com for\u00e7a para n\u00e3o perder o literal fio \u00e0 meada. Aquela com a qual depara \u00e9 uma jovem com uma capa vermelha pintalgada de preto, uma rapariga que podia em tempos ser bonita, mas cujos olhos inchados e vermelhos de tanto chorar e fei\u00e7\u00f5es p\u00e1lidas e assombradas a tornam assustadora. Um caldeir\u00e3o ainda fumega com os restos do seu amado Jo\u00e3o Rat\u00e3o, cuja morte deturpou o amor puro que a Carochinha por ele sente e o tornou numa for\u00e7a corruptora que a tudo toca. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel grande conversa, pois a Carochinha est\u00e1 destro\u00e7ada e n\u00e3o tem interesse em falar com ningu\u00e9m, amea\u00e7ando fazer Borralheiro perder o ju\u00edzo s\u00f3 pelo facto de estar a olhar para ela e a ouvir o seu choro. Certo de que estar\u00e1 a livrar o mundo de uma amea\u00e7a perdida e irredim\u00edvel, Borralheiro ergue ent\u00e3o a espada do Matador e prepara-se para acabar com o sofrimento da jovem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 ent\u00e3o que, a meio do golpe, Borralheiro lembra-se das palavras da M\u00e3e Gansa, de esta lhe ter pedido que praticasse o bem e que fizesse boas ac\u00e7\u00f5es, que talvez pudessem vir a fazer a diferen\u00e7a. E percebe: n\u00e3o foi a Carochinha quem corrompeu o mundo, mas o amor puro dela que foi deturpado e transformado numa for\u00e7a perversa e insidiadora. Se a matar, estar\u00e1 apenas a perpetuar o ciclo, pois o amor dela perdurar\u00e1 certamente para al\u00e9m da morte. E a espada do Matador \u00e9 a espada que <em>tudo <\/em>corta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Travando o golpe a tempo, a espada fica diante da indiferente Carochinha, e Borralheiro ajusta o pulso e desfere um corte descendente entre a jovem e o caldeir\u00e3o com os restos do Jo\u00e3o Rat\u00e3o, \u00abcortando\u00bb o amor que ela sente pelo seu amado. A Carochinha pisca os olhos e fica a olhar para ele com o ar aturdido de quem n\u00e3o percebe o que acabou de acontecer. A casinha come\u00e7a a tremer, o c\u00e9u principia a luzir com luzes estranhas, e h\u00e1 algo no ar que s\u00f3 pode ser descrito como um v\u00f3rtice que se forma. Borralheiro diz-lhe que lamenta muito pelo que lhe aconteceu e sai da casinha a correr para ir ao encontro dos outros, que est\u00e3o assustados a olhar em redor para um mundo em convuls\u00e3o. Borralheiro estende-lhes a m\u00e3o na qual tem enrolado o cordel da M\u00e3e Gansa e diz-lhes que pousem as suas sobre a dele, para que n\u00e3o percam o fio \u00e0 meada. Agradece-lhes pela sua companhia e camaradagem e diz-lhes que n\u00e3o tenham medo, porque sabe que felizes viveram uma vez e que tornar\u00e3o a s\u00ea-lo. E, ent\u00e3o, o mundo parece colapsar sobre si mesmo<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Burra desce ao po\u00e7o das princesas e, desta vez, consegue salvar uma delas, que revela ser a Carochinha. Os dois apaixonam-se na hora, e nota-se logo que dali vai sair cas\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vasilisa est\u00e1 novamente com a madrasta e as meias-irm\u00e3s. Estas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o cru\u00e9is quanto antes, mas ela continua a ser a mal-amada ap\u00f3s a morte do pai e a ser criada delas. Por\u00e9m, agora tem um amigo: todas as noites, quando lhe cabe tratar das lides da casa, Aprendiz surge \u00e0 janela e invoca esp\u00edritos que deixam tudo num brinco enquanto os dois ficam a namorar, com promessas de fugirem em breve.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Capuchinho est\u00e1 a caminhar pelo bosque com o seu cesto, quando \u00e9 abordada pelo Lobo. A conversa parece mal encaminhada quando, do nada, uma machadinha guina pelo ar e se enterra na cabe\u00e7a do Lobo, escachando-lha. Capuchinho vira-se, assustada, e v\u00ea surgir das \u00e1rvores um jovem ca\u00e7ador que se apresenta como Borralheiro ao dar-lhe a m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para sempre n\u00e3o viveram, de certeza&#8230; mas viveram felizes, isso sim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FIM<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-button is-style-outline aligncenter is-style-outline--1\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/felizes-viveram-uma-vez\/\">Voltar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conforme fui explicando ao longo dos anos, atrav\u00e9s de v\u00e1rias entradas, n\u00e3o me foi poss\u00edvel concluir o Felizes Viveram Uma Vez no formado almejado, nem sequer nos formatos improvisados que me foram ocorrendo. 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