{"id":1366,"date":"2013-08-30T00:00:25","date_gmt":"2013-08-29T23:00:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/?p=1366"},"modified":"2016-02-03T22:53:37","modified_gmt":"2016-02-03T22:53:37","slug":"crise-nas-terras-infinitas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/2013\/08\/30\/crise-nas-terras-infinitas\/","title":{"rendered":"Crise nas Terras Infinitas"},"content":{"rendered":"<p>Em tempos de crise, um livro com semelhante t\u00edtulo pode n\u00e3o dar grande vontade de ler, mas este mais recente volume da colec\u00e7\u00e3o <em>Super-Her\u00f3is DC Comics<\/em> vale mesmo a pena. Foi com esta saga que eu primeiro entrei no maravilhoso mundo dos <em>comics<\/em>, numa idade na qual ainda nem capaz de ler era, e em que as dram\u00e1ticas e chamativas ilustra\u00e7\u00f5es de personagens coloridas \u00e0 pancada umas com as outras ficaram para sempre gravadas na minha mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Infelizmente, n\u00e3o tive o privil\u00e9gio de traduzir nenhum dos dois volumes de <em>Crise nas Terras Infinitas<\/em>, mas escrevi o editorial para o segundo tomo, que aqui deixo como reivindica\u00e7\u00e3o petulante da minha participa\u00e7\u00e3o (ainda que meramente nominal) num dos projectos que mais ambicionava.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"crise\" src=\"http:\/\/static.publico.pt\/coleccoes\/dc_comics\/images\/coleccao\/capas\/capas_08.png\" width=\"176\" height=\"264\" \/><\/p>\n<style type=\"text\/css\"><!--\nP { margin-bottom: 0.08in; }\n--><\/style>\n<p align=\"CENTER\"><span style=\"font-family: Garamond,serif;\"><span style=\"font-size: large;\"><b>Mundos viveram, mundos morreram, e<br \/>\no Universo DC nunca mais foi o mesmo&#8230;<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"CENTER\"><span style=\"font-family: Garamond,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>Filipe Faria<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u201c<span style=\"font-family: Garamond,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>S\u00f3 uma crise <\/i><\/span><span style=\"font-size: medium;\"><i>\u2014 <\/i><\/span><span style=\"font-size: medium;\"><i>verdadeira ou perce<\/i><\/span><span style=\"font-size: medium;\"><i>p<\/i><\/span><span style=\"font-size: medium;\"><i>cionada <\/i><\/span><span style=\"font-size: medium;\"><i>\u2014<\/i><\/span><span style=\"font-size: medium;\"><i> produz verdadeiras mudan\u00e7as. Quando essa crise ocorre, os actos dependem das <\/i><\/span><span style=\"font-size: medium;\"><i>ideias em circula\u00e7\u00e3o<\/i><\/span><span style=\"font-size: medium;\"><i>. Acredito que essa \u00e9 a nossa principal fun\u00e7\u00e3o: desenvolver alternativas \u00e0s pol\u00edticas vigentes, mant\u00ea-las vivas e dispon\u00edveis at\u00e9 que o politicamente imposs\u00edvel passe a politicamente inevit\u00e1vel.<\/i><\/span><span style=\"font-size: medium;\">\u201d<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Garamond,serif;\">As palavras s\u00e3o do economista Milton Friedman, mas aplicam-se perfeitamente \u00e0quilo que sucedeu ao Universo DC na d\u00e9cada de 80. Com uma mitologia cada vez mais convoluta e um historial cada vez mais insond\u00e1vel para novos (e mesmo alguns velhos) leitores, havia necessidade premente de uma arruma\u00e7\u00e3o a fundo, de forma a energizar um multiverso que come\u00e7ava a vergar-se debaixo do pr\u00f3prio peso. Seria necess\u00e1ria uma \u00abcrise\u00bb sem precedentes para levar a cabo as \u00abmudan\u00e7as\u00bb de que o panorama da DC claramente necessitava. Os \u00abactos\u00bb basear-se-iam nas \u00abideias em circula\u00e7\u00e3o\u00bb, ou seja, o riqu\u00edssimo manancial de personagens e mundos dispon\u00edveis, e as \u00abalternativas \u00e0s pol\u00edticas vigentes\u00bb passariam por uma mudan\u00e7a de paradigma, a partir da qual a confusa tape\u00e7aria de m\u00faltiplos universos e infinitas terras seria unificada. O \u00abpoliticamente imposs\u00edvel\u00bb de mudar a face de toda uma editora a partir de uma s\u00e9rie limitada tornou-se \u00abpoliticamente inevit\u00e1vel\u00bb, e assim surgiu a <i>Crise nas Terras Infinitas<\/i>, a que este segundo volume d\u00e1 dram\u00e1tica conclus\u00e3o. Quem percepcionou a crise vivida pela DC Comics e a solucionou com outra foi <b>Marv Wolfman<\/b>, que em crian\u00e7a idealizara um \u00e9pico com todos os seus super-her\u00f3is favoritos, e que realizou esse sonho ao escrever um dos mais importantes cap\u00edtulos da hist\u00f3ria dos <i>comics<\/i>.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Garamond,serif;\">Tudo come\u00e7ou com uma personagem circunspecta com o ainda mais circunspecto nome de \u00abBibliotec\u00e1rio\u00bb, criado por um jovem Marv Wolfman. No imagin\u00e1rio do futuro argumentista, o Bibliotec\u00e1rio era um corretor de informa\u00e7\u00f5es, vivia num sat\u00e9lite que orbitava a Terra e vigiava sorrateiramente os super-her\u00f3is, vendendo a informa\u00e7\u00e3o aos inimigos deles. Seria este o malfeitor para a saga idealizada por Wolfman durante a sua inf\u00e2ncia, na qual congeminara uma aventura com todos os her\u00f3is do passado, presente e futuro da DC. Uma ideia que n\u00e3o foi f\u00e1cil de vender, pelo que Wolfman rapidamente tirou da\u00ed o sentido quando se tornou argumentista profissional no final dos anos 60, e tanto o Bibliotec\u00e1rio como a ideia da saga permaneceram no Limbo das cria\u00e7\u00f5es durante mais uma d\u00e9cada. N\u00e3o foi sen\u00e3o na esteira do tremendo sucesso dos Novos Tit\u00e3s \u2014 a s\u00e9rie que come\u00e7ou a delinear o nome de Wolfman no pante\u00e3o dos argumentistas de topo do seu meio<i> <\/i>\u2014 que a personagem foi por fim apresentada aos leitores com o novo nome e identidade de \u00abMonitor\u00bb em <i>The New Teen Titans <\/i>#21 (EUA, 1982), onde aparece nas sombras como um vil\u00e3o misterioso. Alguns anos mais tarde, face \u00e0s provas dadas de Wolfman enquanto autor de sucesso e \u00e0 ineg\u00e1vel necessidade de revigorar as propriedades intelectuais da DC, a ambiciosa saga foi ent\u00e3o aprovada. Finalmente, o Bibliotec\u00e1rio\/Monitor viria a cumprir o prop\u00f3sito que lhe fora destinado, embora com uma finalidade bem diferente da originalmente idealizada&#8230;<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Garamond,serif;\">Uma vez aprovado o ambicioso projecto de uma \u00abmaxi-s\u00e9rie\u00bb para fazer t\u00e1bua rasa do passado, presente e futuro de todos os cantos do Universo DC, Wolfman e o seu companheiro de armas <b>George P\u00e9rez<\/b> viram no Monitor o ve\u00edculo perfeito para levar a cabo essa opera\u00e7\u00e3o. A personagem teve direito a v\u00e1rias apari\u00e7\u00f5es ao longo de um monstruoso prel\u00fadio de 40 n\u00fameros agourentos, espalhados por praticamente todas as publica\u00e7\u00f5es da editora enquanto se preparava os leitores para a Crise iminente. Misterioso, insond\u00e1vel e com acesso aos mais bem guardados segredos do multiverso, seria ele o catalisador de uma crise sem precedentes que viria a mudar o panorama da DC durante mais de vinte anos. O panorama com o qual o pr\u00f3prio Wolfman crescera a ler, e que iria alterar decisivamente atrav\u00e9s de uma hist\u00f3ria que idealizara desde crian\u00e7a, embora com repercuss\u00f5es que dificilmente poderia ter imaginado. A come\u00e7ar pelo nobre sacrif\u00edcio do Monitor, o \u00abvil\u00e3o\u00bb que no volume anterior desta presente colec\u00e7\u00e3o deu a vida para salvar os mundos que ainda n\u00e3o tinham sido destru\u00eddos pela investida da sua contraparte maligna: o Antimonitor. O \u00abBibliotec\u00e1rio\u00bb fechava assim o c\u00edrculo, mas o seu legado viria a perdurar, surgindo inclusive vinte anos mais tarde noutra forma e numa outra crise, e mesmo morto tornou-se literalmente parte indel\u00e9vel da pr\u00f3pria estrutura do Universo DC.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Garamond,serif;\">E assim chegamos a este segundo volume de <i>Crise nas Terras Infinitas<\/i>, no qual a parada est\u00e1 mais alta do que nunca e as terras sobreviventes se v\u00eaem \u00e0 merc\u00ea do terr\u00edvel poder do Antimonitor, uma amea\u00e7a de tamanha capacidade destrutiva, que nem mesmo o poder conjunto dos her\u00f3is de v\u00e1rios mundos parece ser o suficiente para o impedir. Numa hist\u00f3ria desta natureza, face a t\u00e3o poderoso algoz e com os universos a ru\u00edrem em redor dos super-her\u00f3is desesperados, seria inevit\u00e1vel que houvesse algumas baixas. E h\u00e1, de facto, o que tornou a s\u00e9rie mais marcante ainda, pois a morte de super-her\u00f3is era algo de extremamente incomum \u00e0 \u00e9poca. Normalmente, esse destino era reservado a companheiros e personagens secund\u00e1rias e, embora a <i>Crise nas Terras Infinitas <\/i>tivesse deixado bem claro desde cedo que ningu\u00e9m estava a salvo e que o fim do universo como os leitores o conheciam estava pr\u00f3ximo (s\u00f3 no volume anterior, a contagem de corpos de her\u00f3is e vil\u00f5es ia j\u00e1 nas dezenas), ningu\u00e9m teria conseguido prever o destino de duas das mais emblem\u00e1ticas figuras dos <i>comics<\/i>.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Garamond,serif;\">No espa\u00e7o de dois n\u00fameros (<i>Crisis of Infinite Earths<\/i> #7-8, 1985) um dos chamados \u00abSete Grandes\u00bb da Liga da Justi\u00e7a e uma das mais queridas personagens da DC s\u00e3o tamb\u00e9m eles for\u00e7ados a fazer o derradeiro sacrif\u00edcio em prol dos seus companheiros e do que resta do multiverso. O choque da parte dos leitores foi tremendo e as mortes desses dois her\u00f3is ficaram imortalizadas como dois dos momentos mais dram\u00e1ticos e memor\u00e1veis da hist\u00f3ria da DC Comics. Uma delas teve mesmo repercuss\u00f5es duradouras e significativas, que se fizeram sentir d\u00e9cadas mais tarde, mesmo no universo renovado p\u00f3s-Crise \u2014 o termo que, a par de \u00abpr\u00e9-Crise\u00bb, passou a situar cronologicamente a vasta hist\u00f3ria deste universo \u2014 e perdurou at\u00e9 ao recente advento dos <i>Novos 52<\/i>, a mais rasa das t\u00e1buas at\u00e9 \u00e0 data&#8230; Mas essa \u00e9 uma hist\u00f3ria para outro editorial.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Garamond,serif;\">A <i>Crise nas Terras Infinitas <\/i>foi um tremendo sucesso a todos os n\u00edveis, dando in\u00edcio a uma nova gera\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias e actualizando para uma nova era o pante\u00e3o dos mais famosos super-her\u00f3is do mundo. Tamb\u00e9m popularizou e abriu definitivamente o precedente para o chamado evento transversal <i>(crossover)<\/i>, que desde ent\u00e3o se tornou num dado adquirido da ind\u00fastria: um evento anual a larga escala, que influencia de uma forma ou de outra quase todas as publica\u00e7\u00f5es de uma editora enquanto decorre, e no qual her\u00f3is morrem ou o <i>status quo <\/i>\u00e9 drasticamente alterado \u2014 pelo menos durante algum tempo. Essa premissa foi cumprida a preceito pela <i>Crise nas Terras Infinitas<\/i> e as consequ\u00eancias foram consider\u00e1veis, deixando marcas t\u00e3o profundas, que mais tarde acabou por ser encaixada como a primeira parte da chamada Trilogia do Multiverso, \u00e0 qual se seguiram a <i>Crise Infinita<\/i> (2006) e a <i>Crise Final<\/i> (2008). As tr\u00eas formavam assim um tr\u00edptico que consistia da morte do multiverso, a reconstru\u00e7\u00e3o do multiverso e a saga final do multiverso, por essa ordem. Apesar dos vinte anos que separam a primeira Crise nas restantes duas (com um breve seguimento em 1994 em <i>Zero <\/i><i>Hora<\/i><i>: Crise no Tempo<\/i>, no qual se rectificou a d\u00edspar cronologia do Universo DC, que ficara comprometida aquando da fus\u00e3o dos universos), e tal como o leitor ir\u00e1 perceber no final deste volume, o \u00faltimo cap\u00edtulo da saga deixa de facto ind\u00edcios que permitiam margem de manobra a suficiente para dar seguimento ao \u00e9pico. Isto porque, pese embora a ineg\u00e1vel finalidade dos eventos que ocorrem nos dois volumes da saga, muita coisa fica em aberto.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Garamond,serif;\">Dito isto, o legado mais duradouro da <i>Crise <\/i>vai bem al\u00e9m da sua classifica\u00e7\u00e3o como talvez a mais marcante e bem arquitectada reestrutura\u00e7\u00e3o de um universo ficcional nos <i>comics<\/i>, a derradeira sublima\u00e7\u00e3o do mito apocal\u00edptico como sacrif\u00edcio necess\u00e1rio para a renova\u00e7\u00e3o, e do potencial de novas hist\u00f3rias que despertou. Afinal, esta \u00abmaxi-s\u00e9rie\u00bb introduziu tamb\u00e9m de forma \u00e9pica e empolgante novas formas de as hist\u00f3rias de super-her\u00f3is interagirem com os seus contextos hist\u00f3ricos e com a sua audi\u00eancia, explorando o seu pr\u00f3prio historial com laivos metatextuais e introspectivos que mais tarde viriam a ser recuperados e aprofundados na <i>Crise Final<\/i>, entre outras obras de relevo. N\u00e3o ser\u00e1, portanto, grande exagero dizer que, com este volume, o leitor tem nas suas m\u00e3os um peda\u00e7o da hist\u00f3ria, n\u00e3o s\u00f3 da DC Comics, mas de toda uma ind\u00fastria que nunca mais foi a mesma desde ent\u00e3o.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos de crise, um livro com semelhante t\u00edtulo pode n\u00e3o dar grande vontade de ler, mas este mais recente volume da colec\u00e7\u00e3o Super-Her\u00f3is DC Comics vale mesmo a pena. 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