{"id":1409,"date":"2013-11-30T10:43:18","date_gmt":"2013-11-30T10:43:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/?p=1409"},"modified":"2016-02-03T22:53:37","modified_gmt":"2016-02-03T22:53:37","slug":"super-homem-homem-de-aco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/2013\/11\/30\/super-homem-homem-de-aco\/","title":{"rendered":"Super-Homem: Homem de A\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 nas bancas, a hist\u00f3ria que trouxe ao mundo a vers\u00e3o do Super-Homem que as pessoas da minha gera\u00e7\u00e3o conheceram. Uma das v\u00e1rias fontes que inspiraram elementos do recente filme <em>Homem de A\u00e7o<\/em> e uma obra cl\u00e1ssica que merece sem d\u00favida ser revisitada.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"mos\" src=\"https:\/\/scontent-a-lhr.xx.fbcdn.net\/hphotos-prn2\/1471263_620841291306535_946139124_n.jpg\" width=\"248\" height=\"384\" \/><\/p>\n<style type=\"text\/css\"><!--\nP { margin-bottom: 0.08in; }\n--><\/style>\n<p align=\"CENTER\"><span style=\"font-family: Garamond,serif;\"><span style=\"font-size: large;\"><b>Um Homem de A\u00e7o de Carne e Osso<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"CENTER\"><span style=\"font-family: Garamond,serif;\"><b>Filipe Faria<\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Garamond,serif; font-size: small;\"><br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\">Costuma-se dizer que nada \u00e9 eterno, nem mesmo nos <i>comics<\/i>, mas o <i>statu<\/i><i>s<\/i><i> quo<\/i> das hist\u00f3rias e das personagens desse meio sempre deu mostras de uma tremenda resili\u00eancia. Por esse motivo, a m\u00ednima mudan\u00e7a nunca \u00e9 assunto de pouca monta, muito menos quando ela diz respeito a uma das mais populares personagens fict\u00edcias do mundo. Muito menos quando a mudan\u00e7a propriamente dita \u00e9 o \u00abfim\u00bb da hist\u00f3ria dessa personagem em quest\u00e3o, e talvez menos ainda quando se trata de reinventar uma figura que se tornou num s\u00edmbolo da na\u00e7\u00e3o na qual foi criada. Mas foi precisamente isso o que aconteceu ao Super-Homem no espa\u00e7o de um ano, em 1986.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Garamond,serif; font-size: medium;\">J\u00e1 se falou amplamente da <i>Crise nas Terras Infinitas<\/i> em anteriores editoriais, e o leitor estar\u00e1 certamente familiarizado com as consequ\u00eancias que essa incontorn\u00e1vel m\u00e1xi-s\u00e9rie teve no Universo DC, que viu reformuladas muitas das suas mais importantes personagens. Algumas continuaram simplesmente com as suas aventuras, reconhecendo os eventos e as mudan\u00e7as pelos quais o universo passara, outras viram os seus t\u00edtulos cancelados sem grande cerim\u00f3nia, e outras ainda tiveram um ponto final nas suas hist\u00f3rias de forma a acomodar os seus destinos na <i>Crise<\/i>. O Super-Homem foi um caso excepcional, na medida em que teve direito a uma \u00abfesta de despedida\u00bb antes de ver reiniciada a sua narrativa, naquela que \u00e9 unanimemente considerada uma das melhores hist\u00f3rias de sempre da personagem: <i>Whatever Happened to the Man of Tomorrow<\/i><i>? <\/i>A for\u00e7a impulsionadora por detr\u00e1s desta despedida foi <b>Julius Schwartz<\/b>,<b> <\/b>editor da fam\u00edlia de t\u00edtulos do Super-Homem desde 1971, e que viria tamb\u00e9m ele a despedir-se da DC em 1986, ap\u00f3s uns memor\u00e1veis e marcantes 42 anos de servi\u00e7o. O adeus do Super-Homem serviria portanto tamb\u00e9m como um adeus id\u00f3neo a uma das mais marcantes figuras da ind\u00fastria, o que fazia deste projecto uma empreitada \u00e0 qual s\u00f3 poderia ser feita justi\u00e7a com a arte do prol\u00edfico <b>Curt Swan<\/b>, cujo estilo definira o Homem de A\u00e7o ao longo de tr\u00eas d\u00e9cadas, e com o argumento de um dos maiores nomes dos <i>comics<\/i> \u00e0 \u00e9poca: <b>Alan Moore<\/b>. Neste \u00faltimo adeus do Super-Homem da Idade da Prata <span style=\"font-family: Garamond,serif;\">\u2014<\/span> para muitos a encarna\u00e7\u00e3o definitiva da personagem <span style=\"font-family: Garamond,serif;\">\u2014<\/span> s\u00e3o atadas todas as pontas soltas de quase cinquenta anos de aventuras num aut\u00eantico <i>tour<\/i><i> de force<\/i> do universo do Homem de A\u00e7o, tocando em todos os elementos que tinham feito da sua fam\u00edlia de t\u00edtulos a mais popular da ind\u00fastria ao longo de d\u00e9cadas. O resultado final \u00e9 provavelmente o mais tocante canto do cisne a que qualquer super-her\u00f3i alguma vez teve direito, com um final \u00e9pico e comovente, numa aventura que conciliava na perfei\u00e7\u00e3o a extravag\u00e2ncia da Idade da Prata com as sensibilidades mais sofisticadas da Idade do Bronze.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Garamond,serif; font-size: medium;\">Ao canto do cisne seguiu-se o renascer da f\u00e9nix, e o Homem de A\u00e7o regressou triunfalmente nesse mesmo ano na ep\u00f3nima mini-s\u00e9rie <i>Man of Steel<\/i> pela m\u00e3o de <b>John Byrne<\/b>, um dos autores mais cobi\u00e7ados da d\u00e9cada de 80. Acabado de sair da concorr\u00eancia ap\u00f3s v\u00e1rias s\u00e9ries de tremendo sucesso, Byrne foi o escolhido para relan\u00e7ar a mais emblem\u00e1tica personagem da DC Comics, reconstruindo-a praticamente a partir do zero e descartando in\u00fameros pilares da sua mitologia. A come\u00e7ar por Krypton, o planeta que durante d\u00e9cadas fora representado como uma civiliza\u00e7\u00e3o super-avan\u00e7ada e quase ut\u00f3pica, e cujo modo de vida id\u00edlico de certa forma inspirara o Super-Homem da Idade da Prata a lutar por um mundo melhor na Terra. Deixou de ser esse o caso quando Krypton foi reinventado como um planeta n\u00e3o menos tecnologicamente avan\u00e7ado que a sua anterior encarna\u00e7\u00e3o, mas agora est\u00e9ril e ass\u00e9ptico, com uma popula\u00e7\u00e3o fria e indiferente, para a qual mesmo a procria\u00e7\u00e3o era um acto vil a ser levado a cabo atrav\u00e9s de matrizes incubadoras <span style=\"font-family: Garamond,serif;\">\u2014<\/span> uma mudan\u00e7a dr\u00e1stica que inspirou o Krypton a que assistimos nos cinemas no recente <i>Man of Steel <\/i>de <b>Zack Snyder<\/b>. Deixou tamb\u00e9m de haver a Supermo\u00e7a e os vil\u00f5es da Zona Fantasma: o Super-Homem era agora de facto o \u00daltimo Filho de Krypton, mas n\u00e3o tinha pelo seu planeta-natal a rever\u00eancia de outros tempos, vendo-se apenas como Clark Kent, um terrestre com superpoderes. Para refor\u00e7ar esses la\u00e7os que o uniam \u00e0 Terra, os Kents, os seus pais adoptivos, estavam vivos nesta nova continuidade, contrariamente \u00e0 antiga encarna\u00e7\u00e3o da personagem, na qual haviam falecido logo em <i>Action Comics<\/i> #1. At\u00e9 ent\u00e3o, os leitores apenas tinham conhecido o simp\u00e1tico casal nas p\u00e1ginas da revista <i>Superboy<\/i>, que relatava as aventuras da juventude do Super-Homem, mas esse passado foi apagado ap\u00f3s a <i>Crise nas Terras Infinitas<\/i> e nesta nova continuidade os poderes do Homem de A\u00e7o s\u00f3 se revelaram em toda a sua plenitude muito mais tarde. Poderes esses que, ressalve-se, diminu\u00edram consideravelmente: o Super-Homem n\u00e3o mais era capaz de mover planetas ou de sobreviver indefinidamente no v\u00e1cuo do espa\u00e7o, quanto mais viajar no tempo ou destruir sistemas solares com um espirro. Byrne fez tamb\u00e9m um esfor\u00e7o para fundamentar alguns dos aspectos do quotidiano que durante muitos anos tinham sido ignorados ou resolvidos com solu\u00e7\u00f5es demasiado convenientes: como faz o Super-Homem a barba, que na Idade da Prata simplesmente n\u00e3o crescia, tal como o seu cabelo? Como \u00e9 que ele levanta objectos grandes e pesados sem que estes se desfa\u00e7am nas suas m\u00e3os? Como \u00e9 que a roupa dele, anteriormente feita de tecido kryptoniano indestrut\u00edvel, n\u00e3o se estraga? Aliados a uma maior \u00eanfase nos estratagemas que Clark Kent usa para ocultar a sua identidade e justificar o seu porte f\u00edsico, estes pormenores tornaram a personagem mais terra-a-terra e vulner\u00e1vel do que fora em anos. E esta nova vulnerabilidade tornou mais cred\u00edveis determinados tipos de hist\u00f3rias ou amea\u00e7as, a come\u00e7ar por um novo Lex Luthor que, contrariamente ao seu passado de cientista louco, era agora um impiedoso homem de neg\u00f3cios multimilion\u00e1rio que se resguardava atr\u00e1s da lei sempre que poss\u00edvel. Em vez de estratagemas megal\u00f3manos, inven\u00e7\u00f5es diab\u00f3licas e alian\u00e7as com alien\u00edgenas mal\u00e9ficos, Luthor fazia agora uso da sua fortuna e influ\u00eancia para infernizar a vida do Super-Homem, que ousara destron\u00e1-lo como o indiv\u00edduo mais poderoso de Metr\u00f3polis e ganhara assim um inimigo figadal.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Garamond,serif; font-size: medium;\">Por estes e por outros motivos, <i>Man of Steel<\/i> foi um projecto ousado, in\u00e9dito e marcante, que pavimentou o rumo narrativo do Super-Homem durante as d\u00e9cadas que se seguiram. Mas h\u00e1 que ressalvar que, apesar de tantas e t\u00e3o significativas mudan\u00e7as, John Byrne n\u00e3o procurou reinventar a super-roda com esta mini-s\u00e9rie, mas sim simplificar e actualizar a personagem para a audi\u00eancia mais discernente dos anos 80, bem como para novos leitores que pudessem tirar proveito do ponto de entrada que o fim da <i>Crise nas Terras Infinitas<\/i> providenciara. Tudo isto fez dos anos 80 uma d\u00e9cada que redefiniu o Super-Homem para a Idade Moderna, n\u00e3o s\u00f3 nos <i>comics<\/i>, como tamb\u00e9m em s\u00e9ries de televis\u00e3o, videojogos e desenhos animados. Foi este o her\u00f3i com o qual uma gera\u00e7\u00e3o cresceu durante um quarto de s\u00e9culo e que foi novamente readaptado em 2011 para toda uma nova gera\u00e7\u00e3o no evento <i>O<\/i><i>s<\/i> <i>Novos 52<\/i>. Novas velhas adendas foram feitas \u00e0 mitologia e dados adquiridos que antes n\u00e3o o eram deixaram novamente de o ser, tal como aconteceu ap\u00f3s <i>Man of Steel<\/i> e muito provavelmente tornar\u00e1 a acontecer no futuro. Uma coisa \u00e9 certa, no entanto: independentemente dos adere\u00e7os e detalhes, permanece sempre a hist\u00f3ria imortal do imigrante das estrelas que se torna no maior protector da humanidade, da dualidade de um deus entre os homens que se revela muitas vezes mais humano do que os pr\u00f3prios. Seja ele de a\u00e7o ou do amanh\u00e3, este homem, este <i>s<\/i><i>uper<\/i>-homem, \u00e9 sem d\u00favida eterno.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 nas bancas, a hist\u00f3ria que trouxe ao mundo a vers\u00e3o do Super-Homem que as pessoas da minha gera\u00e7\u00e3o conheceram. 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