{"id":1629,"date":"2015-09-05T13:25:12","date_gmt":"2015-09-05T12:25:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/?p=1629"},"modified":"2015-09-05T13:31:23","modified_gmt":"2015-09-05T12:31:23","slug":"carma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/2015\/09\/05\/carma\/","title":{"rendered":"Carma"},"content":{"rendered":"<p>Ora, na entrada anterior, dissertava eu acerca do mau ser humano que tinha sido com os dois artistas que tinham aceitado encetar comigo o desafio de publicar no estrangeiro uma novela gr\u00e1fica. Assim foi, e assim parti para a Isl\u00e2ndia pela terceira vez, munido de doze p\u00e1ginas de banda desenhada, cinco das quais ainda redolentes com o cheiro a impressora for\u00e7ada a vomitar uma paleta de cores em alta resolu\u00e7\u00e3o \u00e0s cinco da manh\u00e3. Estava animado, pois n\u00e3o s\u00f3 iria rever a minha fam\u00edlia islandesa, assistir \u00e0 feliz coincid\u00eancia do casamento de um amigo e explorar um pouco mais do pa\u00eds, como tencionava interrogar mais uns quantos indiv\u00edduos e apresentar a proposta a tr\u00eas editoras.<\/p>\n<p>Assim fiz e, um feliz reencontro viking e um casamento mais tarde, fui ao ataque e tive uma reuni\u00e3o com as tais tr\u00eas editoras. A primeira disse-me que j\u00e1 se tinham deixado de banda desenhada, a segunda aceitou apenas o manuscrito, sem direito a reuni\u00e3o, ficando de me dizer algo mais tarde e a terceira disse o mesmo ap\u00f3s uma reuni\u00e3o com uma simp\u00e1tica editora. Convencido de que t\u00e3o cedo n\u00e3o obteria resposta, marquei novo encontro com J\u00f6rmundur Ingi, a tal sumidade e antigo sumo sacerdote pag\u00e3o, para uma dose de estimula\u00e7\u00e3o intelectual e para esclarecer algumas d\u00favidas. Aqui, um excerto de uma das nossas muitas conversas, referente a um dos temas mais importantes da hist\u00f3ria que eu na altura ainda estava a escrever. Desculpem o ru\u00eddo de fundo, mas tivemos a conversa na cafetaria da Biblioteca Nacional e Universit\u00e1ria da Isl\u00e2ndia, o nosso ponto de encontro mais frequente:<\/p>\n<p><audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1629-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"http:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/jorm1.mp3?_=1\" \/><a href=\"http:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/jorm1.mp3\">http:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/jorm1.mp3<\/a><\/audio><br \/>\nDevidamente estimulado, conversado e em v\u00e9speras de regressar a Portugal, dei a miss\u00e3o por cumprida e comecei a aplicar ao enredo todas as novas informa\u00e7\u00f5es. O itiner\u00e1rio do personagem principal mudara por completo, bem como o plano do antagonista, e eu ficava cada vez mais entusiasmado com a hist\u00f3ria. Esse meu entusiasmo esmoreceu um pouco quando, dois dias antes da minha partida, achei por bem ligar \u00e0 tal editora com a qual nem tivera reuni\u00e3o, e falar com o editor, que ent\u00e3o me comunicou que tinha ficado de olhos arregalados com a viol\u00eancia de alguns pain\u00e9is, e que n\u00e3o era bem o tipo de obra que se imaginasse a publicar. Bof.<\/p>\n<p>No entanto, tive uma agrad\u00e1vel surpresa quando, na v\u00e9spera da minha partida, recebi um telefonema de J\u00f6rmundur Ingi a dar-me os parab\u00e9ns pela minha recente fama, por ter sido mencionado num artigo de jornal. A minha fam\u00edlia islandesa tratou de o adquirir prontamente, um artigo que falava da publica\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie <em>Thorgal <\/em>na Isl\u00e2ndia pela tal terceira editora que tamb\u00e9m ficara de me dizer algo. <em>&#8220;Seriam os deuses astronautas?&#8221;<\/em>, intitulava-se o artigo, no qual a simp\u00e1tica senhora que referi fala de mim como &#8220;um autor portugu\u00eas que me trouxe um manuscrito sobre as sagas dos deuses n\u00f3rdicos, o que s\u00f3 prova que a mitologia n\u00f3rdica est\u00e1 bem e de sa\u00fade&#8221;.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/mbla.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1632 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/mbla-240x300.jpg\" alt=\"mbla\" width=\"240\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/mbla-240x300.jpg 240w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/mbla.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a>N\u00e3o sendo propriamente um salto para a ribalta, nem t\u00e3o-pouco um indicador de interesse, pareceu-me apesar de tudo um sinal auspicioso, e voltei animado a Portugal naquele belo Setembro de 2007. Vinha cheio de ideias e convencido de que a novela gr\u00e1fica ia no bom caminho e decidi trabalhar nela com afinco antes de come\u00e7ar a escrever <em>O Fado da Sombra, <\/em>ansiando por aquele que j\u00e1 imaginava como o pr\u00f3ximo bom pretexto para visitar a Isl\u00e2ndia, dessa feita como autor publicado naquele pa\u00eds, a partir do qual conquistaria a Escandin\u00e1via, passando naturalmente para a Alemanha e, depois disso, o mundo.<\/p>\n<p>Recebi o email da editora umas semanas mais tarde. N\u00e3o iriam publicar o livro. O carma apanhara-me, por fim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ora, na entrada anterior, dissertava eu acerca do mau ser humano que tinha sido com os dois artistas que tinham aceitado encetar comigo o desafio de publicar no estrangeiro uma novela gr\u00e1fica. 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