{"id":1657,"date":"2015-10-20T19:22:50","date_gmt":"2015-10-20T18:22:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/?p=1657"},"modified":"2015-10-20T19:22:50","modified_gmt":"2015-10-20T18:22:50","slug":"uma-inusitada-mudanca-de-formato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/2015\/10\/20\/uma-inusitada-mudanca-de-formato\/","title":{"rendered":"Uma inusitada mudan\u00e7a de formato"},"content":{"rendered":"<p>Resumindo a hist\u00f3ria: tinha come\u00e7ado em 2005 um projecto de BD com o Manuel Morgado, que n\u00e3o deu em nada e que, por culpa minha, em nada poderia dar, e que passou mais tempo na gaveta que o que \u00e9 saud\u00e1vel para qualquer ideia com p\u00e9s e cabe\u00e7a. Anos mais tarde, pedi desculpa ao Manuel pela minha tremenda falha e ele, na sua benevol\u00eancia, motivou-me a pegar novamente no projecto e concluir o argumento.<\/p>\n<p>Fim?<\/p>\n<p>Nem por isso. Ainda havia o \u00ednfimo pormenor de publicar uma obra de BD em Portugal ou no estrangeiro, empreitada que nunca \u00e9 de pouca monta. Mas uma conjun\u00e7\u00e3o de factores p\u00f4s na mesa a possibilidade de eu publicar o projecto em formato de romance pela Presen\u00e7a, o que serviria, n\u00e3o s\u00f3 para levar a bom porto uma hist\u00f3ria que, coitada, j\u00e1 h\u00e1 quase dez anos ansiava por ser contada, mas tamb\u00e9m como poss\u00edvel plataforma para refor\u00e7ar o m\u00e9rito do projecto numa futura adapta\u00e7\u00e3o. Conversei com o Manuel, que apoiou a ideia, e lancei-me ent\u00e3o ao trabalho de reescrever o argumento em formato BD para a sempre mais detalhada e (espero) escorreita prosa de um romance.<\/p>\n<p>Passei os \u00faltimos meses de 2014 nisso, a que consegui ainda conciliar mais uma viagem \u00e0 Isl\u00e2ndia para tirar uns \u00faltimos apontamentos, esclarecer novas d\u00favidas, reconstruir os passos da personagem principal da hist\u00f3ria e revisitar a sempre inspiradora terra do fogo e do gelo. Depois disso, foi uma quest\u00e3o de entrar na velocidade de cruzeiro em que tendo a entrar sempre que se aproxima o fim de algo que escrevo, e teclar uma vez mais a palavra que sempre me traz um misto de al\u00edvio e nostalgia.<\/p>\n<p>Fim?<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o. Isto porque, ap\u00f3s aprecia\u00e7\u00e3o, o livro foi considerado &#8220;complicado&#8221; por v\u00e1rias pessoas na minha editora; pessoas a que n\u00e3o tive a humildade de dar ouvidos no passado e a cujas palavras iria sem d\u00favida atentar desta feita. O t\u00edtulo era mais assustador ainda que Allaryias e Karasthans, a estrutura ainda acusava muito da convers\u00e3o de um argumento de BD e o registo, \u00e0 falta de palavra melhor, era uma dor de cabe\u00e7a para ler em certas partes. Aceitei todas as cr\u00edticas, at\u00e9 porque tinha bem presente que, ainda que a n\u00edvel subconsciente, provavelmente escrevera sob a assun\u00e7\u00e3o de que teria o suporte visual de desenhos. Isto, claro est\u00e1, para al\u00e9m do registo algo rebuscado pelo qual j\u00e1 sou de qualquer forma conhecido\/infame. O livro j\u00e1 n\u00e3o iria certamente sair na Feira do Livro de 2015, portanto.<\/p>\n<p>De volta ao estirador, consegui desapegar-me ao t\u00edtulo <em>Endurvakning, <\/em>cuja sombra pairara sobre o projecto durante dez anos, e fiquei-me pelo bem mais leg\u00edvel <em>A Alvorada dos Deuses, <\/em>que, para meu al\u00edvio, reuniu consenso imediato na Presen\u00e7a. O processo de reescrita foi um pouco mais moroso, e diversifiquei o meu lote de leitores <em>beta <\/em>para melhor poder apurar as falhas daquele que ia claramente ser o livro mais &#8220;diferente&#8221; que eu alguma vez escrevera (<em>\u00abent\u00e3o e a Leopoldina?\u00bb<\/em>, perguntar\u00e3o alguns, que eu ignorarei de forma ostensiva).<\/p>\n<p>Felizmente, tudo correu pelo melhor, o livro foi aprovado e, ao cabo de uma odisseia de uma d\u00e9cada &#8211; uma aut\u00eantica saga de ambi\u00e7\u00e3o, cren\u00e7a e perd\u00e3o que em tanto e a tantos n\u00edveis se assemelhou \u00e0 hist\u00f3ria que ambicionava contar &#8211; <em>Endurvakning<\/em>, o Renascimento, renasceria na forma da <em>Alvorada dos Deuses. <\/em>Um fim que se quer como um come\u00e7o, pois o projecto de BD ainda \u00e9 para realizar &#8211; por mais que n\u00e3o seja, para poderem ver a arte extraordin\u00e1ria do Manuel &#8211; mas que, por si s\u00f3 j\u00e1 me deixa imensamente satisfeito e aliviado.<\/p>\n<p>Fim?<\/p>\n<p>S\u00f3 por enquanto. E, para assinalar este fim que n\u00e3o o \u00e9 verdadeiramente, nada como o vazio hiante de Ginnungagap, o princ\u00edpio de todas as coisas na mitologia n\u00f3rdica, tal como cantado por Therion, uma das minhas bandas favoritas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/ox9Ikyyj5eQ\" width=\"425\" height=\"350\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumindo a hist\u00f3ria: tinha come\u00e7ado em 2005 um projecto de BD com o Manuel Morgado, que n\u00e3o deu em nada e que, por culpa minha, em nada poderia dar, e que passou mais tempo na gaveta que o que \u00e9 saud\u00e1vel para qualquer ideia com p\u00e9s e cabe\u00e7a. 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