{"id":1748,"date":"2016-04-08T12:44:40","date_gmt":"2016-04-08T11:44:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/?p=1748"},"modified":"2016-04-08T12:44:40","modified_gmt":"2016-04-08T11:44:40","slug":"saga-das-trevas-eternas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/2016\/04\/08\/saga-das-trevas-eternas\/","title":{"rendered":"Saga das Trevas Eternas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/legiao.jpg\" rel=\"attachment wp-att-1743\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1743 \" src=\"http:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/legiao-202x300.jpg\" alt=\"legiao\" width=\"180\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/legiao-202x300.jpg 202w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/legiao.jpg 654w\" sizes=\"auto, (max-width: 180px) 100vw, 180px\" \/><\/a><br \/>\n<span style=\"font-family: Garamond,serif; font-size: 14pt;\"><b>Entre o passado e o futuro<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Garamond,serif; font-size: 12pt;\">Tr\u00eas jovens her\u00f3is do s\u00e9c. XXX viajaram at\u00e9 ao s\u00e9c. XX para conhecerem a lenda que os havia inspirado, convidando-o de seguida para viajar com eles at\u00e9 ao futuro e juntar-se ao \u201cclube dos super-her\u00f3is\u201d por eles formado. Assim reza a hist\u00f3ria em <em>Adventure Comics<\/em> #247 (EUA, 1958), naquele que n\u00e3o se queria como mais que um <i>fait divers <\/i>na vida do Super-Homem, o personagem principal desse peri\u00f3dico, que relatava as aventuras da sua juventude a par da revista-irm\u00e3 <i>Superboy. <\/i>No entanto, a imagina\u00e7\u00e3o dos leitores foi estimulada por esses tr\u00eas jovens her\u00f3is do futuro e a \u201cLegi\u00e3o\u201d \u00e0 qual eles pertenciam, e o interesse manifestado n\u00e3o passou despercebido a <b>Mort Weisinger,<\/b> o lend\u00e1rio editor da fam\u00edlia de t\u00edtulos do Super-Homem. Sempre atento \u00e0s opini\u00f5es dos leitores e mais que disposto a fazer uso de uma boa ideia quando ela lhe era apresentada, Weisinger fez parceria com os que lhe enviavam sugest\u00f5es interessantes e, juntos, foram dando forma \u00e0 Legi\u00e3o \u00e0 medida que o grupo se ia tornando parte integrante de <i>Adventure Comics.<\/i> Novos her\u00f3is foram criados e l\u00edderes da Legi\u00e3o foram eleitos, e Weisinger foi tamb\u00e9m astuto o suficiente para perceber quais os leitores que tinham estofo de escritores, abrindo as portas a talentos como <b>Jim Shooter, E. Nelson Bridwell <\/b>e<b> Cary Bates, <\/b>todos eles futuros argumentistas de hist\u00f3rias do grupo. Era nesta s\u00edntese entre o passado e o presente, na forma de um editor adulto e os leitores jovens, que se ia forjando o futuro em que vivia a Legi\u00e3o dos Super-Her\u00f3is.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Garamond,serif; font-size: 12pt;\">No entanto, apesar de ter ganhado fama suficiente para passar a partilhar com Superboy o t\u00edtulo e o protagonismo da sua pr\u00f3pria revista no in\u00edcio dos anos 70, a Legi\u00e3o dos Super-Her\u00f3is foi provando ser um desafio complicado para muitos autores nas d\u00e9cadas subsequentes. A come\u00e7ar pelo n\u00famero de personagens, que faziam jus ao t\u00edtulo do grupo e eram um aut\u00eantico pesadelo para muitos artistas, tal como viria a descobrir <b>Murray Boltinoff, <\/b>editor de <i>Superboy and the Legion of Super-Heroes. <\/i>Parafraseando o pr\u00f3prio: na altura, havia pouca gente a trabalhar na ind\u00fastria dos <i>comics<\/i> por amor ao meio e aos personagens, e a maior parte dos artistas preferia um \u00fanico protagonista cujas aventuras ocorressem no presente, do que uma verdadeira \u201clegi\u00e3o\u201d com dezenas de personagens que viviam no futuro, e que, ainda por cima, tinham f\u00e3s t\u00e3o fervorosos, participativos e exigentes. Havia ainda o preconceito de que a Legi\u00e3o e os seus leitores se tornaram alvo em d\u00e9cadas subsequentes, devido a idiossincrasias como a excentricidade das aventuras e dos poderes de alguns dos Legion\u00e1rios, ou os nomes de personagens que, j\u00e1 jovens adultos, continuavam a ter <i>lad, lass, boy <\/i>ou <i>girl <\/i>nos cognomes. A agravar este problema, a Legi\u00e3o raramente conseguiu afirmar-se como algo de verdadeiramente futurista, fosse embora essa a ess\u00eancia das suas aventuras. Podia haver gelatarias com sabores intergal\u00e1cticos, mas quem servia os gelados era um indiv\u00edduo com avental e um cl\u00e1ssico casquete branco; podia haver rob\u00f4s nas escolas, mas os alunos continuavam a sentar-se em cadeiras enquanto o professor leccionava diante de um quadro; podia haver alien\u00edgenas num bar e bebidas com nomes estranhos, mas o propriet\u00e1rio continuava atr\u00e1s do balc\u00e3o a limpar copos com uma toalha, e assim por diante. O ambiente social, a linguagem, tudo era estranhamente contempor\u00e2neo, apesar de as hist\u00f3rias decorrerem 1000 anos no futuro e pela gal\u00e1xia fora, e embora isso n\u00e3o tivesse impedido que grandes e memor\u00e1veis aventuras da Legi\u00e3o fossem contadas, faltava uma unidade de efeito ao s\u00e9c. XXX, uma vis\u00e3o unificada que guiasse a abordagem a t\u00e3o \u00fanico grupo de her\u00f3is. Assim, n\u00e3o \u00e9 grande surpresa que, durante a d\u00e9cada de 70, a Legi\u00e3o tivesse tido nada menos que nove argumentistas, vinte e um artistas e quatro editores diferentes, todos incapazes de conciliarem verdadeiramente o passado exc\u00eantrico do grupo com o futuro vanguardista em que ele supostamente militava&#8230; at\u00e9 que um desses nomes regressou para inverter essa tend\u00eancia de uma vez por todas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Garamond,serif; font-size: 12pt;\"><b>Paul Levitz <\/b>tinha j\u00e1 escrito cerca de duas d\u00fazias de hist\u00f3rias dos Legion\u00e1rios durante os \u00faltimos anos da d\u00e9cada de 70, e regressou \u00e0 revista em 1981<i>. <\/i>O argumentista reambientou-se ao s\u00e9c. XXX, tirando proveito das li\u00e7\u00f5es que aprendera e fazendo uso da sua familiaridade com os membros do vasto grupo, o que lhe permitiu trazer a necess\u00e1ria estabilidade e consist\u00eancia ao t\u00edtulo, antes de come\u00e7ar a dar-lhe a direc\u00e7\u00e3o que viria a redefinir a Legi\u00e3o dos Super-Her\u00f3is. Um processo que se iniciou em definitivo a partir do momento em que <b>Keith Giffen <\/b>entrou em cena, em <i>Legion of Super-Heroes <\/i>#285 (EUA, 1982), pois Giffen era f\u00e3 assumido da Legi\u00e3o e come\u00e7ava a revelar-se como um dos mais empolgantes talentos art\u00edsticos da DC, um autodidacta que bebia de v\u00e1rias fontes e influ\u00eancias e que trouxe ao livro um tra\u00e7o arrojado, experimental e bem distinto \u2014 em suma, exactamente aquilo de que a Legi\u00e3o dos Super-Her\u00f3is precisava <span style=\"font-family: Garamond,serif;\">\u2014<\/span> e os resultados n\u00e3o tardaram a fazer-se sentir. Com Levitz e Giffen ao leme (e com men\u00e7\u00e3o honrosa para a arte-final de <b>Larry Mahlstedt)<\/b>, o s\u00e9c. XXX ganhou vida e forma, \u00e0 medida que os dois constru\u00edam met\u00f3dica e detalhadamente um universo de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que, com o passar dos meses, se ia tornando cada vez mais veros\u00edmil e cativante. A arte de Giffen dava vida ao futuro, cunhando-o com uma est\u00e9tica muito pr\u00f3pria e indubitavelmente futurista, mas estes pormenores art\u00edsticos de pouco teriam importado, n\u00e3o fosse a ex\u00edmia habilidade de Levitz para entretecer tramas secund\u00e1rias e o enredo principal, e fazer uso do vasto (e ainda crescente!) leque de personagens do mundo da Legi\u00e3o, com uma rotatividade que assegurava que havia sempre algo a acontecer e a desenvolver-se com algum personagem. E f\u00ea-lo de uma forma ex\u00edmia, que lhe permitiu deixar pendentes uma s\u00e9rie de desenvolvimentos em que mais tarde podia pegar de forma natural, gerindo a Legi\u00e3o numa mistura perfeita de melodrama, aventuras super-her\u00f3icas no cosmos e um abordar das quest\u00f5es sociol\u00f3gicas no espa\u00e7o p\u00f3s-colonial do futuro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Garamond,serif; font-size: 12pt;\">A genu\u00edna paix\u00e3o e ineg\u00e1vel talento da dupla Levitz\/Giffen foi a resposta \u00e0s preces dos f\u00e3s da Legi\u00e3o, e a revista tornou-se num dos t\u00edtulos da linha da DC com maior sucesso da d\u00e9cada de 80, que \u00e9 quase unanimemente considerada a melhor era da hist\u00f3ria do grupo, muito por culpa do aut\u00eantico trampolim para o estrelato que foi a aventura que o leitor agora tem em m\u00e3os. <i>A Saga das Trevas Eternas <\/i>foi constru\u00edda aos poucos, prenunciada com um painel sinistro aqui, uma aparentemente inconsequente aventura ali, at\u00e9 culminar num \u00e9pico de cinco partes explosivas, com um vil\u00e3o \u00e0 altura completamente inesperado, e um enredo meticulosamente urdido por dois artistas na plenitude dos seus poderes criativos. Leitores novos da Legi\u00e3o poder\u00e3o porventura sentir-se algo perdidos de in\u00edcio, mas \u00e9 precisamente isso o que deve acontecer: devem deixar-se imergir no vasto e fant\u00e1stico universo criado por Levitz e Giffen, emaranhar-se na complexa rede de rela\u00e7\u00f5es interpessoais entre os Legion\u00e1rios, e perder-se nas coloridas personagens secund\u00e1rias e terci\u00e1rias que lhe d\u00e3o cor \u2014 em suma, devem deixar-se levar por um verdadeiro cl\u00e1ssico dos <i>comics, <\/i>que continua a ser de leitura obrigat\u00f3ria para qualquer autor que ambicione escrever um \u00e9pico super-her\u00f3ico com alma e personalidade. Porque, \u00e0s vezes, n\u00e3o h\u00e1 nada como reexaminarmos o passado para redefinirmos as nossas expectativas do futuro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Garamond,serif; font-size: 12pt;\"><i>Longa Vida \u00e0 Legi\u00e3o!<\/i><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre o passado e o futuro Tr\u00eas jovens her\u00f3is do s\u00e9c. XXX viajaram at\u00e9 ao s\u00e9c. XX para conhecerem a lenda que os havia inspirado, convidando-o de seguida para viajar com eles at\u00e9 ao futuro e juntar-se ao \u201cclube dos super-her\u00f3is\u201d por eles formado. 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