{"id":2273,"date":"2019-06-20T11:27:44","date_gmt":"2019-06-20T10:27:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/?p=2273"},"modified":"2019-06-17T20:38:50","modified_gmt":"2019-06-17T19:38:50","slug":"da-cabeca-para-o-papel-pt-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/2019\/06\/20\/da-cabeca-para-o-papel-pt-ii\/","title":{"rendered":"Da Cabe\u00e7a Para o Papel &#8211; Pt. II"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/?p=2262\">Parte I<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez delineado e mapeado o enredo, \u00e9 chegada aquela altura que tanto receio no in\u00edcio de cada livro. O acto de come\u00e7ar a escrever faz-me sempre alguma esp\u00e9cie, pelo simples facto de as ideias se tornarem ent\u00e3o reais, e eu deixar o \u00e2mbito livre e despreocupado da idea\u00e7\u00e3o e passar para a <em>responsabilidade <\/em>de ter algo escrito, e de o fazer como deve ser. \u00c9 tudo muito bonito quando est\u00e1 s\u00f3 na minha cabe\u00e7a, mas no papel (ou ecr\u00e3) tem de ser detalhado, convincente, bem descrito, e todos aqueles espa\u00e7os em branco entre pares de boas ideias t\u00eam de ser preenchidos com as coisas pouco emocionantes que ningu\u00e9m inclui quando est\u00e1 a &#8220;vender&#8221; a sua ideia brilhante a algu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para essa empreitada, conto sempre com o meu companheiro de longa data, o <a href=\"https:\/\/www.libreoffice.org\/download\/download\/\">LibreOffice Writer<\/a>, que s\u00f3 posso recomendar sem quaisquer reservas. Para poupar os meus olhos, tenho a aplica\u00e7\u00e3o configurada com fundo preto e letras cinzento-claras, de forma a evitar um grande contraste, e acho criminoso que os processadores de texto n\u00e3o venham com esse esquema pr\u00e9-definido. J\u00e1 h\u00e1 muito que estaria a usar \u00f3culos, se tivesse continuado a usar o fundo branco notoriamente oculocida com que todos parecem vir pr\u00e9-configurados. Como escrevo sobretudo de noite (sou tradutor durante o dia), tamb\u00e9m n\u00e3o dispenso outro companheiro de longa data, o <a href=\"https:\/\/justgetflux.com\/\">f.lux<\/a>, que devia fazer parte integrante de todas as distribui\u00e7\u00f5es de sistemas operativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/fullscreen.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-2276 size-large\" src=\"http:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/fullscreen-1024x576.png\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/fullscreen-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/fullscreen-300x169.png 300w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/fullscreen-768x432.png 768w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/fullscreen.png 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a>Por vezes, o mais dif\u00edcil \u00e9 arrancar com a primeira frase, e depois sai tudo aos jorros. Outras vezes, encalho a meio de um par\u00e1grafo, e fico \u00e0s voltas com ele durante minutos ou mesmo horas a fio. Outras, tenho sess\u00f5es de escrita revigorantes e produtivas, e \u00e9 uma luta para conseguir encerr\u00e1-las com uma frase satisfat\u00f3ria. E nunca deixo frases a meio. S\u00f3 fecho o documento quando o cursor est\u00e1 a piscar ao lado de um ponto final &#8211; por mania ou preciosismo, n\u00e3o saberia dizer &#8211; nem que para isso fique a penar quando devia dar o trabalho por conclu\u00eddo e ir deitar-me.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando sei que vou ter cap\u00edtulos ou cenas para os quais precisarei de apoio visual, preparo sempre um espa\u00e7o de trabalho separado, em que deixo abertas as imagens de refer\u00eancia que me possam ser \u00fateis. Isso serve tamb\u00e9m como uma esp\u00e9cie de &#8220;barra de progresso&#8221; da minha sess\u00e3o de escrita, \u00e0 medida que vou fechando as imagens de que j\u00e1 n\u00e3o preciso, e ajuda-me a entrar mentalmente em cena sempre que h\u00e1 algum elemento que tenho maior dificuldade em visualizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/workspace.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-2314 size-large\" src=\"http:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/workspace-1024x576.png\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/workspace-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/workspace-300x169.png 300w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/workspace-768x432.png 768w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/workspace.png 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a>Por falar em progresso, normalmente, quando escrevo, n\u00e3o me atenho a grandes hor\u00e1rios ou objectivos. A minha \u00fanica regra \u00e9 escrever algo e progredir (quase) todos os dias. A chave do sucesso para completar um livro \u00e9 a consist\u00eancia e a disciplina &#8211; a imagina\u00e7\u00e3o e inspira\u00e7\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 a fa\u00edsca que despoleta o processo e nos ajuda a ultrapassar certos entraves. O que \u00e9 mesmo preciso \u00e9 escrever algo, seja uma p\u00e1gina, uma frase, ou mesmo s\u00f3 mudar uma palavra.&nbsp; Se for mais que isso, tanto melhor. A \u00fanica diferen\u00e7a s\u00e3o os dias em que estou mais apertado de tempo ou me atrasei, e nessas alturas uso a <a href=\"https:\/\/francescocirillo.com\/pages\/pomodoro-technique\">t\u00e9cnica Pomodoro<\/a>, que costumo empregar quando estou a traduzir. N\u00e3o funciona assim t\u00e3o bem na escrita, porque h\u00e1 muito tempo &#8220;morto&#8221;, paragens para verificar fontes e longos minutos \u00e0 volta com uma s\u00f3 frase, mas por vezes ajuda a manter o objectivo em foco e a ser mais pragm\u00e1tico para o cumprir. N\u00e3o gosto, \u00e9 demasiado maquinal, e acho que vai um pouco contra o esp\u00edrito da coisa, mas pode ser \u00fatil em certas ocasi\u00f5es, e at\u00e9 pode funcionar bem para outros. Experimentem, que existem in\u00fameras aplica\u00e7\u00f5es que servem como temporizadores Pomodoro para v\u00e1rios sistemas operativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E assim se escreve um livro. Como podem ver, tem tanto de m\u00e9todo como de pancadas e prefer\u00eancias pessoais. Como sempre mantenho, a velha m\u00e1xima diz que escrever um livro \u00e9 10% de inspira\u00e7\u00e3o e 90% de transpira\u00e7\u00e3o, mas, sem essa fa\u00edsca dos 10%, um escritor pode suar o que quiser, que nunca ir\u00e1 escrever coisa alguma. Para terminar, na pr\u00f3xima e \u00faltima entrada, irei falar de como \u00e9 o processo de revis\u00e3o, a \u00faltima etapa antes de o livro ser encadernado e impresso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parte I Uma vez delineado e mapeado o enredo, \u00e9 chegada aquela altura que tanto receio no in\u00edcio de cada livro. 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