{"id":2384,"date":"2019-07-27T01:03:10","date_gmt":"2019-07-27T00:03:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/?p=2384"},"modified":"2019-07-27T01:03:10","modified_gmt":"2019-07-27T00:03:10","slug":"purismos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/2019\/07\/27\/purismos\/","title":{"rendered":"Purismos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo para quem gosta e est\u00e1 habituado, escrever livros n\u00e3o \u00e9 algo a que se possa chamar <em>f\u00e1cil. <\/em>H\u00e1 tanta coisa a ter em conta s\u00f3 para tecer um enredo e desenvolver personagens, que seria de esperar que um autor n\u00e3o complicasse mais ainda a coisa. No entanto, da mesma forma que torno as coisas mais dif\u00edceis para mim de forma consciente, recusando-me a aderir \u00e0s redes sociais, tamb\u00e9m o fa\u00e7o na constru\u00e7\u00e3o de mundos, perdendo tempo em min\u00facias nas quais dificilmente algu\u00e9m reparar\u00e1. E nem me refiro ao tipo de pormenores que, mesmo passando despercebidos, d\u00e3o corpo e verosimilhan\u00e7a ao mundo, mas coisas t\u00e3o irris\u00f3rias como: em Allaryia n\u00e3o h\u00e1 laranjas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 do conhecimento comum e est\u00e1 patente nas descri\u00e7\u00f5es e na est\u00e9tica que o reveste, o mundo de Allaryia \u00e9 baseado na Europa da Idade M\u00e9dia. Uma Europa de dimens\u00f5es bem mais alargadas, com uma Transcauc\u00e1sia mal-amanhada povoada por um povo tirante aos chuvaches, mas em tudo o mais semelhante ao passado do Velho Continente. S\u00f3 com uma diferen\u00e7a: ao contr\u00e1rio de outros mundos de fantasia, n\u00e3o existem outros continentes distantes. Como tal, n\u00e3o h\u00e1 especiarias, frutos tropicais, animais ex\u00f3ticos, ou tecidos finos, o que, parecendo que n\u00e3o, tem um grande impacto nas descri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 algo que d\u00e1 trabalho, e compreendo perfeitamente porque mais ningu\u00e9m (acho) o faz. O mais normal \u00e9 ver mundos medievais de fantasia com milheirais, ab\u00f3boras, vestidos de seda, le\u00f5es, tabaco, algod\u00e3o, e tantas mais coisas que tomamos como dados adquiridos. Afinal, h\u00e1 sempre a desculpa do &#8220;ai, e tal, \u00e9 fantasia&#8221;, ou h\u00e1 terras distantes a que se alude, e a verdade \u00e9 que, ainda que n\u00e3o origin\u00e1rias, muitas esp\u00e9cies de legumes e frutas ex\u00f3ticas podem crescer no clima europeu. Tamb\u00e9m d\u00e1 sempre para imaginar que uma placa tect\u00f3nica mais ex\u00f3tica colidiu com fantasi\u00f3polis em tempos idos. E, claro, h\u00e1 tamb\u00e9m a magia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o, em Allaryia n\u00e3o. E s\u00f3 ao escrever o <em>Felizes Viveram Uma Vez, <\/em>esse sim baseado num mundo com bases no nosso, \u00e9 que me dei conta da real carga de trabalhos que isso me deu ao longo dos anos. Como se isso n\u00e3o bastasse, ainda por cima nem sempre o fiz bem, como o atesta um certo le\u00e3o da montanha e uns quantos crocodilos n&#8217;<em>A Manopla <\/em>&#8211; para n\u00e3o falar de in\u00fameros detalhes que certamente me ter\u00e3o escapado. Porqu\u00ea faz\u00ea-lo, ent\u00e3o? Porqu\u00ea dar-me a tal trabalho, quando podia estar a concentrar-me em algo efectivamente relevante para a hist\u00f3ria?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de mais, porque posso, obviamente. Porque sou purista e preciosista. Porque tenho um peculiar instinto de dificultar as coisas por quest\u00f5es de princ\u00edpio ou h\u00e1bito, como quando fa\u00e7o ponto de honra de n\u00e3o usar os navegadores recomendados para algumas das ferramentas de trabalho de tradu\u00e7\u00e3o que utilizo. E porque, espero, tal como os pormenores que passam despercebidos mas nem por isso deixam de dar corpo e verosimilhan\u00e7a a mundos criados, este tipo de particularidade e consist\u00eancia internas tornam o mundo de Allaryia mais<em> meu.<\/em> Porque, mais ainda que a hist\u00f3ria, as personagens e as ideias &#8211; que nunca poderiam ser do agrado de todos, nem consensuais &#8211; pode-se dizer que aquilo que torna as Cr\u00f3nicas algo mais que apenas mais uma saga de fantasia nas prateleiras \u00e9 o facto de l\u00e1 n\u00e3o haver laranjas. E isso ningu\u00e9m me tira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo para quem gosta e est\u00e1 habituado, escrever livros n\u00e3o \u00e9 algo a que se possa chamar f\u00e1cil. H\u00e1 tanta coisa a ter em conta s\u00f3 para tecer um enredo e desenvolver personagens, que seria de esperar que um autor n\u00e3o complicasse mais ainda a coisa. 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