{"id":3128,"date":"2020-06-26T03:12:00","date_gmt":"2020-06-26T02:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/?p=3128"},"modified":"2020-06-26T03:11:19","modified_gmt":"2020-06-26T02:11:19","slug":"o-verao-de-1995","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/2020\/06\/26\/o-verao-de-1995\/","title":{"rendered":"O Ver\u00e3o de 1995"},"content":{"rendered":"\n<p>Recuando alguns anos da \u00faltima anamnese,<em> <\/em>1995 foi o ano em que as coisas come\u00e7aram a tornar-se verdadeiramente s\u00e9rias. Tinha eu 13 anos e j\u00e1 andava com ganas de criar um mundo de fantasia desde os 12, ap\u00f3s ter lido e devorado a tal hist\u00f3ria sobre senhores e an\u00e9is. Ou seja, j\u00e1 tinha a cabe\u00e7a noutro planeta; faltava s\u00f3 detalh\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o foi apenas o ter lido o livro certo o que criou essa necessidade febril de povoar a minha placa de Petri fantasiosa. Desde sempre que demonstrei uma certa inclina\u00e7\u00e3o para a fantasia, inicialmente a de hist\u00f3rias de super-her\u00f3is (que volta e meia d\u00e1 ares da sua gra\u00e7a), mas mais tarde sobretudo a variante medieval. Esta \u00faltima foi sendo alimentada por anos de um suprimento irregular de filmes e jogos \u2014 seguida de um novo e a partir de ent\u00e3o bem mais regular h\u00e1bito: o da leitura \u2014 e 1995 foi o ano em que tudo coalesceu. Muito por culpa de uma enciclop\u00e9dia e o manual de um jogo que levei comigo durante as f\u00e9rias.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"529\" height=\"700\" src=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/A_Tolkien_Bestiary.jpg\" alt=\"\" data-id=\"3132\" data-full-url=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/A_Tolkien_Bestiary.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/?attachment_id=3132\" class=\"wp-image-3132\" srcset=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/A_Tolkien_Bestiary.jpg 529w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/A_Tolkien_Bestiary-227x300.jpg 227w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/A_Tolkien_Bestiary-200x265.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 529px) 100vw, 529px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"264\" height=\"320\" src=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Conqueror-A.D.-1086.jpg\" alt=\"\" data-id=\"3133\" data-full-url=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Conqueror-A.D.-1086.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/?attachment_id=3133\" class=\"wp-image-3133\" srcset=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Conqueror-A.D.-1086.jpg 264w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Conqueror-A.D.-1086-248x300.jpg 248w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Conqueror-A.D.-1086-200x242.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 264px) 100vw, 264px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c9 verdade. <em>A Tolkien Bestiary <\/em>e o manual do <em>Conqueror A.D. 1086. <\/em>Tamb\u00e9m levei o <em>Silmarillion <\/em>para ler, mas sem estes dois, quem sabe se Allaryia teria sequer germinado&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A minha fam\u00edlia tinha uma tradi\u00e7\u00e3o praticamente anual de ir para o Algarve todos os ver\u00f5es, onde pass\u00e1vamos umas duas semanas na Manta Rota, na saudosa Estalagem O\u00e1sis que, na altura, o era literalmente. Hoje sou um tipo estranho que se veste de preto e n\u00e3o gosta muito do Ver\u00e3o, mas j\u00e1 fui uma crian\u00e7a relativamente normal que gostava de ondas e areia. Mas, mesmo ent\u00e3o, n\u00e3o gostava <em>tanto <\/em>assim de praia; pelo menos, n\u00e3o tanto como o resto da minha fam\u00edlia. Por isso, essas duas semanas costumavam ser mais de pasmaceira na estalagem do que qualquer outra coisa, de horas a fio de ensimesmamento e brincadeira. Mas o Ver\u00e3o de 1995 iria ser diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro passo foi a travessura de levantar o <em>A Tolkien Bestiary <\/em>da biblioteca da minha escola poucos dias antes do in\u00edcio das f\u00e9rias (ou ent\u00e3o n\u00e3o o devolver a tempo, j\u00e1 n\u00e3o me lembro bem), para poder ficar com o livro durante o Ver\u00e3o inteiro a servir-me de d\u00ednamo criativo. Depois, muni-me do manual do <em>Conqueror A.D. 1086, <\/em>que tinha jogado com afinco ao longo do ano escolar, a par do <em>Warcraft: Orcs &amp; Humans <\/em>(mais sobre esse daqui a uns par\u00e1grafos) e que tinha um manual extremamente expressivo e detalhado, com uma descri\u00e7\u00e3o minuciosa das armas e armaduras, bem como da vida quotidiana do medievo. Se o besti\u00e1rio era a fantasmagoria do irreal, o manual foi a superf\u00edcie concreta na qual o jogo de sombras fantasioso se podia projectar. <\/p>\n\n\n\n<p>Assim apetrechado, passei um Julho-Agosto de loucuras e devaneios criativos, em que comecei por fim a erigir algo sobre os alicerces de Allaryia. Foi um belo Ver\u00e3o, em que a fantasia permeou cada momento do meu dia e boa parte das minhas noites. A praia era um campo de batalha, as ondas eram os ecos de rugidos de shakarex, e mesmo a apanha das conquilhas (que depois a cozinheira da estalagem tinha a bondade de preparar para a deliciosa entrada do nosso jantar) era mais \u00e9pica que aquilo a que tinha o direito de ser. As <em>Cr\u00f3nicas de Allaryia <\/em>nasceram ent\u00e3o, embora n\u00e3o na sua derradeira forma, mas naquela que posteriormente veio a ser abreviada no Pref\u00e1cio d&#8217;<em>A Manopla de Karasthan.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda era tudo muito cru e muito tirante a tolkienismos. Um dos v\u00e1rios motivos pelos quais, anos mais tarde, acabei por optar por contar a hist\u00f3ria do filho de Aezrel Thoryn, e n\u00e3o a do pr\u00f3prio. Provavelmente, n\u00e3o tinha como ter sido de outra forma, at\u00e9 porque, em retrospectiva, parece realmente ter havido um qualquer alinhamento que propiciou tudo: um rapaz que n\u00e3o lia mas tinha uma imagina\u00e7\u00e3o f\u00e9rtil sente-a ser espica\u00e7ada ao ver na biblioteca escolar um livro sobre um outro livro, l\u00ea o livro em quest\u00e3o, sente a imagina\u00e7\u00e3o explodir, joga um par de jogos e decide que tamb\u00e9m vai ele criar um mundo. E o resto \u00e9 hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A nostalgia que estou a sentir transpareceu certamente nesta entrada. Raz\u00e3o pela qual, antes de a escrever, fui vasculhar as minhas velhas pastas e dossi\u00eas, onde encontrei aquela que podemos considerar a minha declara\u00e7\u00e3o de inten\u00e7\u00f5es fantasiosas. Vinha claramente com a pedalada do <em>Warcraft,<\/em> mas j\u00e1 se v\u00ea pelo menos um futuro elemento allaryiano (o cavaleiro na \u00e1guia, que n\u00e3o passou de uma nota de rodap\u00e9 no Pref\u00e1cio d&#8217;<em>A Manopla)<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por estranho que possa parecer, esta amostra inacabada de uma batalha foi o verdadeiro ponto de partida da minha escrita enquanto processo criativo, em vez do mero passatempo ocasional que j\u00e1 era h\u00e1 alguns anos. Porque me ajudou a perceber que n\u00e3o tinha o talento ou a capacidade necess\u00e1rias para dar vida \u00e0 minha imagina\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do desenho, e que teria mesmo de escrever.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"870\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/batalha-870x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3129\" srcset=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/batalha-870x1024.jpg 870w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/batalha-255x300.jpg 255w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/batalha-768x904.jpg 768w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/batalha-1305x1536.jpg 1305w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/batalha-1740x2048.jpg 1740w, https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/batalha-200x235.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 870px) 100vw, 870px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>(A t\u00edtulo de curiosidade, para a malta da jogatana mais velha ou os saudosistas, eu joguei as duas campanhas do <em>Warcraft: Orcs &amp; Humans<\/em> sem saber que podia premir a tecla Ctrl para escolher v\u00e1rias unidades. Duas campanhas a seleccionar unidades individualmente e a dar-lhes ordens \u00e0 vez. Duas campanhas <em>inteiras.)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recuando alguns anos da \u00faltima anamnese, 1995 foi o ano em que as coisas come\u00e7aram a tornar-se verdadeiramente s\u00e9rias. Tinha eu 13 anos e j\u00e1 andava com ganas de criar um mundo de fantasia desde os 12, ap\u00f3s ter lido e devorado a tal hist\u00f3ria sobre senhores e an\u00e9is. 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