{"id":4368,"date":"2024-06-21T12:02:21","date_gmt":"2024-06-21T11:02:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/?p=4368"},"modified":"2024-06-21T12:02:24","modified_gmt":"2024-06-21T11:02:24","slug":"vernaculo-familiar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/2024\/06\/21\/vernaculo-familiar\/","title":{"rendered":"Vern\u00e1culo familiar"},"content":{"rendered":"\n<p>Em conversa com a minha fam\u00edlia, dei-me hoje conta de que, \u00e0 semelhan\u00e7a de muitas outras, temos um gloss\u00e1rio bastante nosso. A par das refer\u00eancias partilhadas com o meu grupo de amigos (como os famosos <a href=\"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/2020\/12\/29\/bicuc\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bi\u00e7u\u00e7<\/a>), j\u00e1 dava para criar todo um l\u00e9xico de express\u00f5es, e listo aqui as mais apropriadas para partilha:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aldrab\u00e3o, simulador e vigarista:<\/strong> <em>Mentiroso<\/em><br>O meu pai sempre levou muito a mal quando os seus filhos se \u00abesticavam\u00bb um pouco com a verdade ou a esta se escusavam. A dada altura, qual sequ\u00eancia de luta-livre americana, come\u00e7ou a desencadear contra n\u00f3s uma breve arenga em que, ap\u00f3s confrontar-nos com a nossa peta, deixava o indicador bem espetado para com ele pontuar a cad\u00eancia acusativa de <em>\u00abporque tu<\/em> <em>\u00e9s um aldrab\u00e3o, um simulador e um vigarista!\u00bb<\/em> frequentemente rematada com um <em>\u00abeu ponho-te na rua!\u00bb <\/em>que, felizmente, nunca se concretizou.<br>A minha rela\u00e7\u00e3o e a dos meus irm\u00e3os com a verdade estreitou-se mais, desde ent\u00e3o, e sempre que nos vimos confrontados com algu\u00e9m a ser apanhado numa mentira, um jogador de futebol a simular uma falta, ou at\u00e9 algu\u00e9m v\u00edtima de um lapso, tamb\u00e9m listamos a sequ\u00eancia. Por vezes com a amea\u00e7a de pormos a pessoa na rua.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Halitar:<\/strong> <em>Bafejar algo ou algu\u00e9m com o nosso h\u00e1lito<\/em><br>Um h\u00e1bito particularmente nojento que eu e os meus irm\u00e3os t\u00ednhamos para marcar territ\u00f3rio. Se havia um bolo, um gelado ou outro qualquer acepipe que quis\u00e9ssemos s\u00f3 para n\u00f3s, o primeiro a l\u00e1 chegar \u00abhalitava-o\u00bb, e os outros ficavam demasiado enojados para o comer. Tamb\u00e9m podia ser usado para atormentar irm\u00e3s mais novas em dias de calor no banco de tr\u00e1s do carro, aquecendo-as com o nosso bafo para as deixar desconfort\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ir a 160 em Alverca: <\/strong><em>Estar-se bem mais longe do que verdadeiramente se est\u00e1 quando se est\u00e1 atrasado<\/em><br>Esta nasceu numa sess\u00e3o de Dungeons &amp; Dragons, em que um jogador j\u00e1 sobejamente atrasado ligou a dizer que estava quase a chegar. Um outro jogador, que j\u00e1 o conhecia de outras lides, n\u00e3o se mostrou convencido e sentiu-se \u00e0 vontade para o situar geograficamente e estimar a velocidade a que ele conduzia. Reza a lenda que ele nem estava completamente errado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Levar azeitonas \u00e0 tia: <\/strong><em>Motivo rid\u00edculo para se estar atrasado<\/em><br>Do mesmo jogador, da mesma campanha de D&amp;D. Certo dia, foi efectivamente levar azeitonas a uma tia e chegou atrasado. E achou realmente que esse era um motivo perfeitamente leg\u00edtimo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Peixe de rio: <\/strong><em>Prato menos digno<\/em><br>O meu pai geriu um estabelecimento com restaurante, onde frequentemente se organizavam casamentos, e as discuss\u00f5es de or\u00e7amentos dele via telefone eram frequentes. Destaco uma em particular, em que uma senhora estava a tentar insistentemente puxar os valores para baixo, e o meu pai sai-se com algo como \u00abbem, podemos servir s\u00f3 peixe de rio, nesse caso\u00bb. Do outro lado, ouvimos um indignado <em>\u00abeu n\u00e3 quero peixe de rio&#8230;!\u00bb <\/em>e, desde ent\u00e3o, peixe de rio tornou-se o nosso equivalente a \u00abpara quem \u00e9, bacalhau basta\u00bb. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pessoa:<\/strong> <em>Homossexual<\/em><br>A minha m\u00e3e teve um cabeleireiro homossexual n\u00e3o assumido, que n\u00e3o enganava ningu\u00e9m, mas era recatado e primava pela discri\u00e7\u00e3o. Sempre que falava com as clientes acerca dos acontecimentos da sua vida caseira partilhada, limitava-se a dizer <em>\u00aba <\/em>pessoa<em> com quem eu vivo\u00bb.<\/em> E, para uma fam\u00edlia como a minha, isso foi quanto bastou para que \u00abhomossexual\u00bb fosse substitu\u00eddo por \u00abpessoa\u00bb no nosso l\u00e9xico \u00edntimo. At\u00e9 hoje.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em conversa com a minha fam\u00edlia, dei-me hoje conta de que, \u00e0 semelhan\u00e7a de muitas outras, temos um gloss\u00e1rio bastante nosso. 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