{"id":966,"date":"2012-03-28T16:36:16","date_gmt":"2012-03-28T15:36:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/?p=966"},"modified":"2012-03-28T16:36:16","modified_gmt":"2012-03-28T15:36:16","slug":"preparativos-para-um-aniversario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.allaryia.com\/pearnon\/2012\/03\/28\/preparativos-para-um-aniversario\/","title":{"rendered":"Preparativos para um anivers\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 falta pouco para <em>A Manopla de Karasthan<\/em> fazer dez anitos, mas a antecipa\u00e7\u00e3o desse momento foi infelizmente algo estragada pela realidade do mercado livreiro actual, raz\u00e3o pela qual tardei tanto em actualizar o blogue. Em resultado disso (da realidade do mercado livreiro, entenda-se), n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel comemorar o anivers\u00e1rio da forma originalmente idealizada.<\/p>\n<p>De qualquer forma, a data continuar\u00e1 a ser comemorada, ter\u00e1 \u00e9 de ser noutro formato. Perdoem-me as palavras algo enigm\u00e1ticas, mas tanto eu como a minha editora ainda estamos a afinar os detalhes, por isso prefiro deixar-vos a Nota do Autor \u00e0 laia de explica\u00e7\u00e3o mal-asada, juntamente com a promessa de um esclarecimento nos pr\u00f3ximos tempos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"RIGHT\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino;\"> \u201c<em>A arte nunca \u00e9 conclu\u00edda, apenas abandonada.<\/em>\u201d<\/span><\/p>\n<p align=\"RIGHT\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino;\">\u2014 Leonardo da Vinci<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino;\">Com a gravidade deste pre\u00e2mbulo assegurada pela obrigat\u00f3ria cita\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m mais famoso do que eu, resta-me agora explicar o porqu\u00ea desta reedi\u00e7\u00e3o que, mais do que uma mera edi\u00e7\u00e3o comemorativa, mais do que uma \u00abvers\u00e3o do realizador\u00bb, \u00e9 acima de tudo o co\u00e7ar de uma valente comich\u00e3o. Uma comich\u00e3o decenal que apenas se foi agravando com o passar dos anos e que somente agora pude co\u00e7ar, servindo-me do 10\u00ba anivers\u00e1rio d&#8217;<em>A Manopla de Karasthan<\/em> como pretexto.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino;\">As Cr\u00f3nicas de Allaryia n\u00e3o s\u00e3o estranhas a altera\u00e7\u00f5es e, como qualquer outra obra, foram sujeitas a uma s\u00e9rie de correc\u00e7\u00f5es e ajustes ao longo das sucessivas edi\u00e7\u00f5es de cada um dos volumes. Mas a <em>Manopla<\/em>, essa foi sempre diferente, e n\u00e3o s\u00f3 por ter sido escrita durante o sempre conturbado per\u00edodo entre os dezasseis e vinte anos de idade. Nela havia sempre algo que faltava, um outro pormenor a corrigir, uma qualquer pe\u00e7a que n\u00e3o se entrosava no contexto global da saga. \u00c9 uma hist\u00f3ria com princ\u00edpio, meio e fim, mas sempre pecou por uma certa lassid\u00e3o do enredo e por aquilo que eu defini como o \u00abefeito de manta de retalhos\u00bb numa entrevista uns dez anos atr\u00e1s. Tudo devido a um facto muito simples: ao contr\u00e1rio dos outros seis volumes, <em>A Manopla de Karasthan<\/em> n\u00e3o foi originalmente concebida como parte de uma saga. Ali\u00e1s, em boa verdade nem sequer tinha sido concebida como um livro, raz\u00e3o pela qual s\u00f3 teve direito a um t\u00edtulo quando enviei a obra a concurso. Durante os quatro anos da sua elabora\u00e7\u00e3o, o documento sem nome que mais tarde viria a ser <em>A<\/em> <em>Manopla de Karasthan<\/em> (o pr\u00f3prio t\u00edtulo parecia arbitr\u00e1rio, como v\u00e1rios leitores repararam) n\u00e3o teve quaisquer outras ambi\u00e7\u00f5es al\u00e9m de povoar com uma sucess\u00e3o de eventos o mundo que eu tinha criado. Tratava-se de uma hist\u00f3ria cujo fim eu j\u00e1 conhecia mas que n\u00e3o tinha qualquer conclus\u00e3o \u00e0 vista, pois a minha inten\u00e7\u00e3o era simplesmente ir escrevendo e escrevendo at\u00e9 n\u00e3o ter mais ideias. Depois veio o Pr\u00e9mio Branquinho da Fonseca, a publica\u00e7\u00e3o, e o caso mudou de figura.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino;\">Que isto n\u00e3o se entenda como um rep\u00fadio ou um lavar das m\u00e3os. Nunca escondi que, tal como muitos outros autores, havia coisas que hoje escreveria de forma diferente no meu primeiro livro, mas sempre fiz quest\u00e3o de ressalvar o orgulho que sentia por ele, mesmo com todas as suas rugas e imperfei\u00e7\u00f5es. Ali\u00e1s, gostava de ainda ser capaz de reproduzir a energia pura e inocente com que o manuscrito inicial foi elaborado, de arrear essa din\u00e2mica desbridada que quase deixava as p\u00e1ginas a rebentar pelas costuras e que tanta gente contagiou, mas o paradigma tinha j\u00e1 mudado e as coisas seguiram o seu pr\u00f3prio rumo. Assim, contentei-me em ir fazendo umas altera\u00e7\u00f5es aqui e ali ao manuscrito \u00e0 medida que ia escrevendo os restantes livros, com o intuito de aprimorar o ponto de entrada nas Cr\u00f3nicas de Allaryia e dessa forma tornar a saga mais coesa. N\u00e3o era algo que eu imaginasse que ainda pudesse vir a ver a luz do dia, mas hoje, com a s\u00e9rie j\u00e1 terminada e ainda a tempo de assinalar o 10\u00ba anivers\u00e1rio da publica\u00e7\u00e3o d&#8217;<em>A Manopla de Karasthan<\/em>, achei que era a altura ideal. Seria agora ou postumamente; optei pelo agora.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino;\">E o resultado \u00e9 este: uma reedi\u00e7\u00e3o retrabalhada e refinada do manuscrito original ap\u00f3s um longo processo de arqueologia liter\u00e1ria, que tamb\u00e9m implicou o corte de muita gordura. N\u00e3o obstante, a palavra de ordem foi conservar o maior n\u00famero de trechos poss\u00edvel, enxertando-os nas partes do texto mais alteradas de forma a dar-lhes autenticidade e construindo \u00e0 volta deles os elementos novos que acrescentei ao texto. Tratou-se de uma tarefa morosa que me levou bastantes anos, pois foi curiosamente levada a cabo da mesma forma que o manuscrito original; ou seja, ia sendo feita ao seu pr\u00f3prio ritmo, sem um fim \u00e0 vista nem um prazo definido. Permitiu-me revisitar os j\u00e1 long\u00ednquos tempos da minha escrita adolescente e de certa forma reproduzir a energia e din\u00e2mica que acima referi, moldando-as \u00e0quela que \u00e9 hoje a minha forma de escrever e \u00e0quele que hoje sei ser o \u00e2mbito das Cr\u00f3nicas de Allaryia, o que por si s\u00f3 me deu bastante prazer.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino;\">Resta-me esperar que o leitor tire igual prazer da leitura desta obra, que hoje posso afirmar ser o verdadeiro piv\u00f4 da saga que \u00e0 volta dela cresceu, n\u00e3o mais um mero ponto de entrada indefinido. Longe de pensar que a conclu\u00ed, fico pelo menos agora com a certeza de que n\u00e3o a abandonei&#8230;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 falta pouco para A Manopla de Karasthan fazer dez anitos, mas a antecipa\u00e7\u00e3o desse momento foi infelizmente algo estragada pela realidade do mercado livreiro actual, raz\u00e3o pela qual tardei tanto em actualizar o blogue. Em resultado disso (da realidade do mercado livreiro, entenda-se), n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel comemorar o anivers\u00e1rio da forma originalmente idealizada. 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