Recapitulação

Agora que a “contagem não verdadeiramente decrescente” terminou, fica aqui uma galeria da arte do Samuel Santos. Sempre foi um prazer trabalhar com ele e ver Allaryia ganhar vida sob o seu lápis, e estes últimos catorze meses ajudaram-me muito no processo de me embrenhar novamente nas Crónicas enquanto estruturava a trilogia que aí vem.

   
 

 

Por falar em Crónicas, tenho escrito todos os dias, grão a grão, aos poucos e poucos, ainda muito longe do ritmo a que estava acostumado. Posso já ter voltado à minha terra natal, mas ainda estou nos arredores e não me atrevi a regressar ao bairro de nascença. Há também muito para desempacotar, para recapitular de forma elegante o que aconteceu em sete volumes – e há que o fazer sem a ajuda de um certo Escriba, para mais – por isso tenho-me demorado bastante no prólogo. Uma vez feita a transição deste para o primeiro capítulo, e quando tiver feito a devida festa por reencontrar velhos amigos, estou certo de entrarei em velocidade de cruzeiro.

Ah, e antes que me esqueça: a pedido de várias famílias (ou, pelo menos, de alguns membros destas), o RCPalavras irá regressar a estas páginas ainda antes do final do mês.

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A Oitava Era – Taislin

“Sim, um dia, hei-de lhes dizer o que aconteceu. Mas não hoje.”

Os burriks sempre foram um corpo estranho em Allaryia. A prole do deus Kispryn – que, em resultado da sua ousadia, teve a mão decepada e passou a ser um pária à semelhança da sua própria criação – nunca se integraram verdadeiramente entre humano, eahan ou thuragar. Nem tão-pouco criaram um legado, ou mesmo algo que se assemelhe a uma cultura que vá para lá de um código de conduta tribal; e mesmo esse, de tão variável, flexível ou pura e simplesmente ignorado, mal pode ser considerado como tal. Em boa verdade, são pouco mais que uma praga parasita mas inofensiva, que vive à margem das sociedades e sempre se limitou a meramente existir.
Contudo, é bem possível que se venha a assistir a uma total inversão de paradigma. Com o silêncio dos deuses, estas criaturas folclóricas começam a adquirir uma dimensão quase mitológica, a serem vistas como uma via de comunicação com as desaparecidas divindades, uma vez que foram criadas por uma. E, com o oportunismo que se lhes conhece, será impossível prever como as fragmentadas comunidades dos burriks irão lidar com o seu novo lugar num mundo que nunca verdadeiramente lhes concedeu um.

I̋gonere, escolar da Universidade de Atha

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E assim começa

Há quem opte pelo Ano Novo para tomar resoluções, ou o primeiro dia de Janeiro para dar início a algo. Eu optei por fazê-lo anteontem, no dia dos meus anos: após um ano a preparar e estruturar, comecei por fim a escrever A Oitava Era, o primeiro volume do segundo ciclo das Crónicas de Allaryia. Ou o oitavo volume das Crónicas, conforme preferirem.

Não foi tão épico como talvez fosse de esperar. Não se ouviram os ecos de um coro gregoriano pela minha casa, nem um crescendo de violinos até eu premir o ponto final da primeira frase, à volta da qual andei uma boa meia hora. Mas está feito, e foi bom. É bom estar de volta. Allaryia é, sempre foi, e provavelmente sempre será o meu mundo, independentemente do que eu ainda venha a criar, e já tinha saudades.

Escusado será dizer que, assim, a minha “previsão sem promessa” de um livro pronto a ser publicado em 2019 se começa a afigurar algo quimérica, mas veremos como corre. O importante é escrever algo que faça com que a longa espera tenha valido a pena, e esse é um desafio que de bom grado aceito.

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A Oitava Era – Slayra

“Antes de vos conhecer, ainda podia morrer entre os meus. Agora, só convosco, mesmo…”

As cidades-estado de Nolwyn conspiram entre e contra si após a queda de Ul-Thoryn e o vácuo no trono de Lennhau. Laone e a Namuriqua encontram-se em guerra aberta há anos. As incursões das tribos ocarr fustigam a Latvonia e as fronteiras de Thýr. Nos portos da Benelgia, ouvem-se rumores de uma invasão da distante e enigmática Tayğatar. E é uma questão de tempo até Tanarch se sublevar contra os ocupantes wolhynos e sirulianos. Os reinos humanos estão em guerra, seja ela declarada ou não, mas será provavelmente nos corredores palacianos, e não nos campos de batalha, que esta se decidirá. Pelo menos assim espero, pois a alternativa – a de uma conflagração bélica não mais vista desde a Era Negra – é demasiado terrível de se contemplar…

– Perũrne, Rei de Sathmara, no Concílio de Astina

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A Oitava Era – Nishekan

“Agora sei o que o meu senhor queria. Pela minha mão, será feita a Sua vontade…”

Venham, sombras obscuras, trevas da noite, o terror da razão. Venha o jugo, o bragal, o ferro que trespassa o coração; essência do próprio medo, crueldade sem redenção.

– Ladainha ouvida nos cantos mais obscuros de Allaryia

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