Um 2012 tão bom quanto humanamente possível

É o que eu tenho andado a desejar às pessoas. Vêm aí tempos difíceis ou no mínimo menos fáceis, mas uma coisa é certa: a vida continua e o que é preciso é não parar, um princípio que eu tenho seguido fielmente ao longo destes últimos meses (como evidenciado pela falta de entradas neste meu sempre sossegado canto da Internet). De qualquer forma, reitero o meu desejo de um 2012 tão bom quanto humanamente possível para os meus leitores e aqueles que lhes são mais chegados. E para outros também, mas esses já levaram com a minha lengalenga anteriormente.

Não sou nem nunca fui de resoluções de Ano Novo. Sempre fui mais de resoluções ao longo do ano e nos tempos idos de 2011 tinha já determinado duas coisas que iria fazer em 2012: publicar um novo livro e dar início a uma nova saga, e fazer alguma coisa para comemorar o 10º (sim, décimo) aniversário de uma certa Manopla. Quanto à primeira, posso afirmar que hoje, dia 11 de Janeiro às 3:09 da manhã, o novo livro está escrito e pronto a ser revisto, pelo que é quase certo que será lançado na Feira do Livro de Lisboa ainda em Maio deste ano. Em relação à segunda, tive umas conversas muito proveitosas com a minha editora e fiquei feliz ao constatar que o meu desejo de comemorar uma década de Allaryia era reciprocado, pelo que conto ter novidades em breve (a Manopla de Karasthan saiu em Abril de 2002, para quem se lembra).

Voltando ao novo projecto – sim, porque embora não haja mal nenhum em recordar um passado idílico, convém olhar em frente para o futuro desconhecido – tenho muitas coisas acerca das quais gostaria de escrever e dissertar em antecipação do anúncio do lançamento desta nova série… mas ainda é um pouco cedo. Não escondo uma certa trepidação, pois trata-se de um novo mundo, novas personagens, uma nova história… muita coisa nova para quem esteve 16 anos a viajar por um outro mundo que já tão bem conhecia. E depois as dúvidas de colegial, os «será que as pessoas vão gostar?» que deviam ter desaparecido juntamente com a acne, o instinto de auto-preservação de percorrer o mesmo caminho que já se conhece em vez de enveredar por trilhos desconhecidos, os compreensíveis receios da minha própria editora, ao saber que eu ia tirar umas férias de uma série já estabelecida e de sucesso para me aventurar numa nova saga em tempos de crise…

Tudo bons motivos para jogar pelo seguro e iniciar o novo ciclo de Allaryia (sim, para quem ainda não sabia ou já se tinha esquecido, eu voltarei garantidamente a esse meu segundo mundo e haverá um segundo ciclo de Allaryia, pois ainda tenho muito por contar) mas – e embora fazê-lo não fosse propriamente o equivalente a «parar» como acima referi – dezasseis anos é muito tempo e sete volumes é muito livro. Estava mesmo a precisar de umas férias, não de escrever, mas de Allaryia, pelo que este interregno se me afigurou não só como uma boa oportunidade para deixar amadurecer as ideias para o segundo ciclo, como também a melhor ocasião em dez anos para experimentar algo de novo (avestruzes e talismãs à parte), algo que já estava idealizado havia algum tempo. Algo para mim tão empolgante que me fez escrever um livro em quatro meses, algo que persuadiu um amigo muito especial a convencer-me de que era um projecto no qual valia a pena investir. Mesmo em tempos de crise e mesmo com as ideias algo megalómanas que eu tinha para a série e para o livro em si.

Por isso aqui têm. Palavras vagas acerca de celebrar o passado e encarar o futuro com optimismo, mas conto ser um pouco mais concreto para a próxima. Até lá, boas leituras e fiquem bem.

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