Ainda no registo saudoso e enlutado, dei-me hoje conta de que este é o meu primeiro aniversário em mais de vinte anos em que não estou a pensar em Allaryia. O que não é inteiramente verdade, uma vez que ainda há que publicar e promover o livro, mas é de facto o primeiro em que não tenho nada em vista para o mundo de Allaryia, não estou com cenas na cabeça, a congeminar algo para o futuro das Crónicas ou a reflectir acerca do passado destas para não me esquecer deste ou daquele detalhe. O que era algo que acontecia mesmo quando eu estava ocupado com outros projectos.
Mas, agora, acabou. E, por sorte, o que deixou para trás não é propriamente um vazio, mas uma tremenda sensação de alívio e de missão cumprida. As lições que aprendi a criar, escrever e comunicar Allaryia acompanhar-me-ão até ao fim da vida, e tenciono tirar o melhor partido delas. Posso estar mais velho e gasto, com um parafuso no tornozelo, prestes a fazer as minhas primeiras restaurações de esmalte em alguns dentes, com menos cabelo e mais sensibilidade ao frio, mas a vontade de criar e contar histórias continua viva e recomenda-se.
Estou longe de ter alcançado todos os meus objectivos, incluindo alguns bem importantes, mas sinto satisfação pelos que consegui realizar e tenho a sorte de partilhar a minha vida com uma mulher que parece ter sido feita por encomenda. E dou graças por cada um de vós ter feito parte dela ao longo de todos estes anos, cada um à sua maneira.
E não, a sério que não é um pedido de parabéns dissimulado. Mas obrigado a quem os enviou, de qualquer forma.
