Lucubração

Já há muito tempo que não publicava uma entrada destas. Ao longo do ano transacto, estive quase só praticar no Blender, preparando recursos para futuros projectos e tentando não perder a prática. Estava algo enferrujado, ainda assim, mas já me atrevi a fazer uma série de coisas diferentes que antes evitava, e o resultado final, embora não uma evolução exponencial, saiu ainda assim bastante porreiro.

A história é a de um mago que, de tão concentrado e compenetrado com o material arcano que está obcecado por decifrar, perdeu noites de sono e começa a desleixar-se. Entornou o cálice de vinho, tem restos de comida na escrivaninha, esqueceu-se de cancelar o feitiço de chuva com que rega a sua bruta planta carnívora, causando uma bruta infiltração no canto, e não deu de comer à entidade ctónica que guarda dentro do jarro na mesa. Assim, esta tentou chegar à ratazana que está na gaiola, e que conseguiu escapar, consumindo um pouco de pó de fada, que lhe deu asas diáfanas e lhe permitiu voar pela sala, espalhando pó de perlimpimpim.

Meti demasiados detalhes em coisas que mal chego a focar (os toros em brasa na lareira, por exemplo, ficaram incrivelmente realistas), e perdi a paciência para manipular mais a câmara. Ainda assim, foi gratificante sair da zona de conforto em que me tinha instalado, e aprendi mais com este projecto do que com todos os outros até aqui. Tudo a título de preparativos para aquilo em que pretendo aplicar os meus conhecimentos de Blender, no meu próximo projecto literário…