O mesmo que reconhecimento.
Hoje trago uma expressão arcaica e desnecessária, só para não me estar a repetir e a tocar demasiadas vezes na tecla da «gratidão». Porque, desde a sessão de lançamento e a de autógrafos que se lhe seguiu, é o que tenho sentido. É a palavra de ordem que tem dominado o meu estado de espírito e, mesmo correndo o risco de começar a parecer lamechas ou debitar lugares-comuns, não me canso de o reforçar.
Allaryia tornou-se num mundo partilhado, pelas trocas de impressões, pelas memórias, pelas tatuagens, pelos trabalhos escolares que me trouxeram em micas, pelos livros em nada relacionados que foram espoletados pelas Crónicas, pelos rituais e tradições que foram nascendo e coalescendo na Feira do Livro e não só. E, parafraseando os algo melodramáticos discursos que fiz aquando das cerimónias d’A Manopla de Karasthan e d’Os Filhos do Flagelo, lancei um apelo há mais de vinte anos: roguei a todos para que não tivessem medo de abrir as asas, que não temessem ser levados pelo poder da fantasia. Alegrei-me por ver tanta gente a voar nessa autêntica era dourada da fantasia em Portugal, mas, hoje, alegro-me sobretudo por ter voado convosco, em vez de me circunscrever ao meu ninho solitário.
As Crónicas de Allaryia chegaram ao seu fim, e, embora ainda restem acções e iniciativas de promoção a fazer neste ano e no que vem, já consigo encará-las como um capítulo encerrado. Estou a precisar de um pouco de repouso, mas não me sinto propriamente cansado e faço tenções de me lançar na próxima aventura num futuro mais próximo do que talvez fosse de esperar.
Por aquela que certamente não será a última vez: obrigado a todos. Foi um prazer e uma honra, e espero que torne a sê-lo.

