Como parte da promoção e antecipação de A Última Crónica, a Presença publicou nas suas redes sociais umas stories com breves momentos de reflexão acerca dos volumes das Crónicas. Para quem não os tenha apanhado, aqui ficam registados:
A Manopla de Karasthan
Foi aqui que tudo começou. Os esboços de uma história de fantasia idealizada por um pirralho de 12 anos, que cedo se empolgou mais com o futuro que essa história poderia ter e se dedicou a ele, usando o material que já tinha escrito como Posfácio. Uma energia criativa em bruto, irrepetível, que mais tarde poli na Edição Comemorativa dos 10 anos de publicação da obra. É a história de fantasia que eu queria ler na altura, que acabou por se tornar numa aventura com uma identidade muito própria e, gosto de pensar, muito à portuguesa.
Os Filhos do Flagelo
Um volume que se tornou infame pela morte de uma certa personagem. Comecei «Os Filhos do Flagelo» antes de sequer saber se o meu primeiro livro seria ou não publicado. Uma carreira como autor ainda nem me passava pela cabeça, e desejava apenas continuar a escrever e criar. Talvez mais ainda do que no primeiro volume, nota-se aqui o quanto estava a desfrutar do processo, pelo simples facto de ter ultrapassado aquele limiar que distingue um projecto de gaveta de um livro e estar a ver como o mundo crescia a olhos vistos.
Marés Negras
Neste livro escrito em nove meses, a história é virada completamente do avesso, e gosto de pensar que Allaryia se revela por fim como algo mais do que «outra saga de fantasia». O mundo foi crescendo comigo, e fê-lo sozinho e de forma orgânica em grande parte, o que deixava antever mais surpresas ainda no futuro, incluindo para mim.
A Essência da Lâmina
Em «A Essência da Lâmina», eu próprio tive de lidar com as consequências do que acontecera no volume anterior, muito do qual não tinha antecipado ou planeado a longo prazo. Foi um período de maturação artística e pessoal, e felizmente pude contar com a sorte das musas, pois tudo acabou por encaixar de forma harmoniosa.
Vagas de Fogo
Foram precisos cinco volumes até eu saber precisar quantos seriam precisos para contar toda a história (ou, pelo menos, a do Ciclo I). «Vagas de Fogo» foi escrito em dois países, sendo que acabei adoptado por vikings islandeses durante o processo, no qual ganhei uma segunda família e amigos para a vida. Cresci ao embrenhar-me noutra cultura, e acabei por a adaptar a um mundo de fantasia, no fundo.
O Fado da Sombra
Este foi difícil de escrever. Tanto pelo que acontece, como pela altura da minha vida em que foi escrito. As coisas não me estavam a correr bem e correram pior ainda para Allaryia. É também aqui que o Seltor se cimenta como mais do que um senhor do mal de pacotilha, surpreendendo e deixando tudo em aberto para o fim do Ciclo I.
Oblívio
«Oblívio» foi, ao mesmo tempo, uma das melhores coisas que escrevi e uma das minhas decisões mais impensadas. Muitos ficaram convencidos de que este era o último capítulo da saga, em vez de apenas o último volume do Ciclo I, e a Edição de Luxo a que teve direito parecia reafirmar essa ideia. Bicho do mato das redes sociais que sou, perdi a ligação com a maioria dos leitores à conta disso e levei quase dez anos a tentar retractar-me (desculpem). Porque, como hoje sabemos, ainda faltava o Ciclo II.
A Oitava Era
A história já tinha começado na Oitava Era, que veio a dar o título a este volume pelo simples facto de tudo ter conduzido a ele. Assinalou o meu regresso a Allaryia após uma ausência de quase dez anos e confirmou que o termo «amigos imaginários» tem muito que se lhe diga, pois as personagens revelaram ser muito mais do que isso quando tornei a dar-lhes voz. Eram e são parte de mim, tal como Allaryia o é, e este regresso foi ao mesmo tempo o princípio de uma despedida.
A Era da Ruína
Escrito ao longo de dois confinamentos e uma saga de casamento balcânica, «A Era da Ruína» não foi o volume que mais tempo levei a escrever, mas levou bem mais do que o planeado, mesmo assim. Além das referidas condicionantes, o livro acarretou ainda o peso de ser o penúltimo das Crónicas, e talvez não fosse possível escrevê-lo de outra forma, sabendo como bem sabia que estava a delinear o fim de uma saga que me acompanhou ao longo de toda a vida adulta e parte da juventude. Feitas que estavam as (re)apresentações em «A Oitava Era», senti-me mais livre para desencadear Allaryia com tudo o que tinha estado a maturar e fervilhar na minha cabeça após uma década e, se não tivesse sido tão desgastante escrevê-lo, provavelmente teria logo começado a dar ao dedo para o último volume.
