Novo adeus balcânico

E assim chegou ao fim mais uma longa estadia em Mostar. Não foram propriamente férias, porque há normalmente toda uma série de compromissos familiares a cumprir, mas serviu para recarregar um pouco as baterias, ver algumas coisas diferentes, expor-me às perspectivas diametricamente opostas que esta parte do mundo tão bem ilustra e criar boas memórias com a esposa.

Não vos cansei com relatos detalhados de tudo, mas houve um momento em particular que se destacou na feira medieval Stolačka tarča, em Stolac – a única do seu género neste país. A memória do Portugal-Croácia ainda estava bem fresca nas mentes herzegovinas, e durante uma escaramuça de guerreiros arnesados, um deles levou uma bela traulitada por trás e foi ao chão. Estaria despachado, portanto, mas provavelmente ficou com a mioleira abalada e acabou por se erguer novamente pouco depois, tornando a juntar-se à refrega. O mestre de cerimónias, porém (sim, esta feira tem um mestre de cerimónias, um locutor/humorista local), não se fez achado e, com toda a naturalidade, disse que o VAR invalidou o golpe, e que o guerreiro tinha, portanto, autorização para continuar.

Como se pode ver, a acha do guerreiro com a crina vermelha no elmo estava claramente adiantada em relação ao alvo.