As virtudes de relaxar o rigor

Hoje foi dia de castigo, e foi bastante produtivo.

Por uma série de razões, ontem não me foi possível cumprir a meta acordada do mínimo de 1000 palavras diárias. Acontece, já era tarde, e não ia ficar a pé até ouvir os passarinhos cantar só para chegar à marca dos quatro dígitos, até porque ainda estava longe deles. Às vezes é assim, há dias e capítulos que se recusam a cooperar, e não se pode ser tão inflexível ao ponto de se ficar todo rebentado no dia seguinte só porque aquelas malditas 600(!) palavras se recusavam a sair.

Era um daqueles capítulos. Um dos que eu propositadamente deixo menos preparados, sem pesquisar minuciosamente todas as curiosidades, flores exóticas e afins detalhes, o que me força a recorrer a algo que sinto que perdi bastante desde A Manopla de Karasthan e Os Filhos do Flagelo: a espontaneidade na escrita. O deixar-me chegar a uma situação para todos os efeitos imprevista, e ver o que dela consigo fazer sem o benefício de uma preparação estruturada. E, às vezes, os resultados até saem interessantes, mas isso só os leitores saberão dizer.

Em todo o caso, como disse, foi um castigo produtivo. 2000 palavras num dia, e nem foi difícil, o que é bom sinal. Por muito disciplinado e regrado que seja enquanto escritor, às vezes vale a pena dar largas à inspiração e fazer de conta que sou outra vez o adolescente que nada mais queria do que esparramar tudo o que lhe vinha à cabeça na grande tela em branco de Allaryia.