Ultimamente, tenho andado em profundas arrumações. E, numa das tardes de poeira e tralha, acabei por deparar com uma absoluta pérola:

O 3D Movie Maker. Veio com o primeiro PC que tive e acompanhou-me durante muitos e bons anos em vários outros. Na altura em que saiu, era um programa genial e inovador, tirando o melhor partido de malhas poligonais em fundos pré-renderizados com mapas de profundidade, e um potencial capaz de dar vazão mesmo à mais febril imaginação de um jovem, desde que este tivesse tempo e paciência. Perdi a conta aos filmes que com ele fiz, desde pastichos de Dragon Ball a paródias dos Grammys, mas, curiosamente, nunca fiz com ele nada de fantasia pura e dura. Embora até tivesse as ferramentas para tal.
O meu corpus cinemático foi tosco, pueril, muitas vezes grosseiro e, no final de contas, pouco memorável, mas nem por isso deixo de guardar algumas boas recordações dele. Sobretudo dos projectos que fiz em conjunto com um amigo e que tiveram a felicidade de sobreviver a várias cópias de segurança e computadores. Nada que alguma vez quisesse aqui partilhar, mas houve um em particular que me pareceu inócuo q.b. para mostrar ao mundo: Buffy, the Vampire Slut.
Nem eu, nem esse meu amigo víamos a série. Nem tínhamos qualquer animosidade para com a personagem e para com a actriz. Mas ter dois idiotas à frente do computador, a uma madrugada de sábado, sem nada melhor para fazer… Enfim, de alguma forma, acabámos com uma pretensa Buffy a enfrentar uma galeria de monstros de filme B, e a coisa corre-lhe muito mal ao som MIDI de Du Hast, como podem ver neste excerto (cuja coreografia e sincronização foi, para mim, motivo de grande orgulho na altura).
A título de curiosidade adicional, foi no 3D Movie Maker que se estreou a Comic Sans, possivelmente ainda a fonte mais desprezada do mundo, ao fim de todos estes anos. Na altura, nem me dei conta, mas, anos mais tarde, senti que tinha feito parte de algo histórico.
